Carta às comunidades, instituições e pessoas ligadas à Companhia de Jesus na Nicarágua

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Lima, 2 de setembro de 2022

Caros companheiros jesuítas, queridas irmãs e queridos irmãos na missão: enviamos a vocês saudações e um abraço fraterno. Sabemos da dor que sofrem e queremos lhe dizer que estamos atentos e prontos para ajudar da melhor maneira possível.

Constantemente, recebemos da Nicarágua notícias e imagens de pessoas arbitrariamente detidas, desaparecidas, torturadas e assassinadas; de organizações civis fechadas, de manifestações reprimidas, de comunidades cristãs com pastores impedidos de trabalhar e perseguidos como se fossem criminosos; de muitos meios de comunicação silenciados; de milhares de nicaraguenses que deixam o país e buscam refúgio em outros horizontes. Dói-nos profundamente que sejam reprimidos e restringidos os direitos de pessoas e instituições que só buscam o bem do país.

Não é fácil para nós sequer imaginar o medo, a frustração e até a desesperança que podem tentá-los. Pedimos que não desanimem; que encontrem no Mestre Jesus toda a força necessária para enfrentar esses momentos. Que acolham o Espírito de discernimento para que os ajudem a se manter em pé e, com amor inteligente, responder ao desafio de construir um amanhã de justiça e reconciliação.

Queremos dirigir-nos aos responsáveis por tantas mortes e violências em vários países do continente, mas particularmente na Nicarágua, para pedir-lhes, implorar, exigir em Nome de Deus – como Monsenhor Romero, que: cessem a repressão; que parem de prender quem não pensa como eles, de silenciar as vozes dissidentes, de expulsar do país quem não responde aos seus interesses. É possível que nossa voz não chegue a essas autoridades, que elas as entendam mal e as deturpem, ou que não nos escutem.

Queremos dizer uma palavra porque os sentimos como nossos irmãos e irmãs, e porque queremos – com vocês – afirmar em Deus a esperança e a confiança de que a verdade e a justiça sempre triunfam sobre a mentira e a opressão, e abrem caminhos de participação e reconciliação. Certamente, isso não virá em breve nem será fácil. Por isso, repetimos: não desanimem, não percam a fé e a esperança, perseverem fazendo o bem e buscando a justiça!

Nós seguiremos apoiando, com os meios que estão em nossas mãos e pelos canais que nos são possíveis, as comunidades, presenças e instituições da Companhia de Jesus na Nicarágua, e todas as pessoas que lhes dão vida, fazendo-se presentes como uma verdadeira profecia do Reino.

Deus os abençoe. Com um abraço cheio de fraternidade,

Roberto Jaramillo, SJ.
Presidente CPAL

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