25º Dia Mundial da Vida Consagrada

Data será celebrada na próxima terça-feira, 2 de fevereiro. No Vaticano, Papa Francisco presidirá a Santa Missa

No dia 2 de fevereiro, festa litúrgica da Apresentação de Jesus no Templo, a Igreja também celebra o 25º Dia Mundial da Vida Consagrada. Uma data que deve ser festejada, por sua história e importância. Este ano, o tema a ser refletido é A Vida Consagrada no coração da Igreja: testemunhas de uma certeza. 

Por ocasião do jubileu de prata e no intuito de diminuir o distanciamento provocado pela pandemia de covid-19, o cardeal João Braz de Aviz, prefeito da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica, escreveu uma carta aos religiosos e religiosas na qual convida todos a celebrar intensamente este dia em suas comunidades e a se unir em comunhão e oração com o Papa Francisco. O Pontífice presidirá à Celebração Eucarística na Basílica de São Pedro, no Vaticano, às 13h30 (horário de Brasília). No entanto, ao contrário dos anos anteriores, a Santa Missa será restrita a um pequeno grupo de religiosos consagrados, visto que os cuidados com a saúde precisam ser redobrados.

Ainda na mensagem, o cardeal brasileiro cita a Carta Encíclica Fratelli Tutti, sobre a Fraternidade e a Amizade Social, do Papa Francisco, e recorda que ela convida a pensar e lutar por uma Vida Consagrada cada vez mais aprendiz, especialmente nesse contexto de pandemia. Dom João pede ainda que os consagrados e consagradas coloquem a Encíclica no centro de suas vidas, formação e missão.

Aos interessados em aprofundar seus conhecimentos sobre à realidade da vida consagrada atual e se preparar para o 25º Dia Mundial da Vida Consagrada, a Edições Loyola sugere a leitura de duas obras: Breve curso sobre a vida consagrada – Tópicos de teologia e espiritualidade, de Pe. Pier Giordano Cabra, e A força da vocação, de Pe. Fernando Prado Ayuso e do Papa Francisco.

Leia, a seguir, a íntegra da mensagem de Dom João Braz de Aviz:

A todos os consagrados e consagradas

Chegamos até vocês na véspera de um dia querido por todos nós, consagradas e consagrados, porque dedicado à nossa maravilhosa vocação de fazer brilhar, das mais diversas formas, o amor de Deus pelo homem, pela mulher e pelo universo inteiro. No próximo dia 2 de fevereiro, celebraremos o 25° Dia mundial da Vida Consagrada. Na Basílica de São Pedro, às 17h30, o Papa Francisco presidirá a uma Celebração Eucarística desprovida dos sinais e dos rostos alegres que a iluminaram nos anos anteriores, mas sempre expressão daquela fecunda gratidão que caracteriza nossas vidas.

Com esta carta, queremos diminuir o distanciamento físico que a pandemia nos impõe já há tantos meses e expressar a cada um e a cada uma de vocês e a todas as comunidades a nossa proximidade e a daqueles que trabalham neste Dicastério. Há meses acompanhamos as notícias que chegam das comunidades das diversas nações: falam de perplexidade, de infecções, de mortes, de dificuldades humanas e econômicas, de institutos que vão diminuindo, de medos… mas falam também de fidelidade provada pelo sofrimento, de coragem, de testemunho sereno mesmo na dor ou na incerteza, de partilha de cada dor e de cada ferida, de cuidado e de proximidade com os mais abandonados, de caridade e de serviço à custa da própria vida (cf. Fratelli Tutti, cap. II).

Não podemos pronunciar todos os nomes de vocês, mas sobre cada um e cada uma pedimos a bênção do Senhor para que possam passar do “eu” ao “nós”, sabendo “que estamos todos no mesmo barco, frágeis e desorientados, mas ao mesmo tempo, todos importantes e necessários, todos chamados a remar juntos” (Papa Francisco, Momento extraordinário de oração, sexta-feira, 27 de março de 2020). Sejamos os samaritanos destes dias, vencendo a tentação de se retirar e chorar sobre nós mesmos, ou de fechar os olhos diante da dor, do sofrimento, da pobreza de tantos homens e mulheres, de tantos povos.

Na Encíclica Fratelli Tutti, o Papa Francisco nos convida a atuar juntos, a reavivar em todos “uma aspiração mundial à fraternidade” (n. 8), a sonhar juntos (n. 9) a fim de que, “perante as várias formas atuais de eliminar ou ignorar os outros, sejamos capazes de reagir com um novo sonho de fraternidade e amizade social… “(n. 6).

Consagradas e consagrados em institutos religiosos, monásticos, contemplativos, seculares e nos novos institutos, membros do ordo virginum, eremitas, membros de sociedades de vida apostólica, pedimos a todos vocês que coloquem esta Encíclica no centro de suas vidas, formação e missão. A partir de agora não podemos prescindir desta verdade: somos todos irmãos e irmãs, como de fato rezamos, talvez não com muita consciência, no Pai Nosso, porque “sem uma abertura ao Pai de todos, não pode haver razões sólidas e estáveis para o apelo à fraternidade” (n. 272).

Esta Encíclica, escrita num momento histórico definido pelo próprio Papa Francisco como “a hora da verdade”, é um dom precioso para todas as formas de vida consagrada que, sem esconder as muitas feridas da fraternidade, podem encontrar nela as raízes da profecia.

Estamos diante de um novo chamado do Espírito Santo. Assim como São João Paulo II, à luz da doutrina da Igreja-comunhão, havia exortado as pessoas consagradas a “serem verdadeiramente peritas na comunhão e na prática de sua espiritualidade” (Vita consecrata, n. 46), agora Papa Francisco, inspirando-se em São Francisco, fundador e inspirador de tantos institutos de vida consagrada, alarga os horizontes e convida-nos a sermos artífices da fraternidade universal, guardiões da casa comum da terra e de cada criatura (cf. Encíclica Laudato si’). Irmãos e irmãs de todos, independentemente da fé, cultura e tradição de cada um, porque o futuro não é “monocromático” (FT n. 100) e o mundo é como um poliedro que deixa transparecer a sua beleza precisamente através dos seus diferentes rostos.

Trata-se, portanto, de abrir processos para acompanhar, transformar e gerar; para desenvolver projetos que promovam a cultura do encontro e do diálogo entre os diferentes povos e gerações; partindo da própria comunidade vocacional para depois chegar a todos os cantos da terra e a todas as criaturas, porque, nunca como neste tempo de pandemia, experimentamos que tudo está interligado, tudo está relacionado, tudo está conectado (cf. Encíclica Laudato si’).

“Sonhemos como uma só humanidade, como viajantes feitos da mesma carne humana, como filhos desta mesma terra que nos acolhe a todos, cada qual com a riqueza da sua fé ou das suas convicções, cada qual com a sua voz, mas todos irmãos!” (FT n. 8). Então, no horizonte deste sonho entregue às nossas mãos, à nossa paixão, à nossa perseverança, o próximo dia 2 de fevereiro será, também neste ano, uma bela festa para louvar e agradecer ao Senhor pelo dom da nossa vocação e missão!

Confiamos cada um e cada uma de vocês a Maria, nossa Mãe, Mãe da Igreja, mulher fiel, e a São José, seu esposo, neste ano a ele dedicado. Que em cada uma e cada um de vocês se fortaleça uma fé viva e apaixonada, uma esperança certa e alegre, uma caridade humilde e laboriosa.

Ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo, nosso Deus misericordioso, imploramos a bênção sobre cada um e cada uma de vocês.

Vaticano, 18 de janeiro de 2021.
Card. João Braz de Aviz