Jesuítas e Franciscanos se unem pela Revolução Laudato Sì’

União propõe mudança no relacionamento com a Casa Comum

Inspirados pela encíclica Laudato Sí do Papa Francisco, pelo Documento Final do Sínodo Panamazônico e pela Exortação Pós-Sinodal “Querida Amazônia”, franciscanos/as e jesuítas presentes no Brasil decidiram unir-se para empreender reflexões e ações voltadas à luta pela justiça socioambiental, contra toda forma de exploração e desigualdade socioeconômica, contra toda expressão de racismo e em defesa dos povos indígenas e da democracia. 

A união de franciscanos/as e jesuítas insere-se em um movimento internacional – a “Laudato Sí Revolution” – e reveste-se de um grande simbolismo, por aproximar os carismas e as forças dos dois grandes santos fundadores – Francisco e Inácio – que se refletem na imagem do Papa Francisco que personifica os dois, enquanto jesuíta escolhendo o nome de Francisco. Tal união propõe uma “revolução” que incorpora uma profunda mudança de paradigma no relacionamento com a Terra, nossa “casa comum”; em defesa dos pobres e excluídos, concebendo-os como interlocutores e não apenas destinatários; em defesa dos povos indígenas e outras minorias; e, enfim, em defesa da democracia e contra todo tipo de autoritarismo.

Para marcar o lançamento dessa união entre franciscanos/as e jesuítas, será realizado um “webnário” no dia 30 de setembro, às 20 horas, com a presença do Teólogo Leonardo Boff e da teóloga Maria Clara Bingemer, que apresentarão, alicerçados, respectivamente, na espiritualidade franciscana e inaciana, os fundamentos inspiradores desse encontro simbólico entre as duas tradições. A mediação será da antropóloga Moema Miranda, assessora da Comissão Especial de Ecologia Integral e Mineração da CNBB e da Rede Eclesial Pan-Amazônica/REPAM-Brasil. As inscrições podem ser feitas na página no Facebook.

Para os idealizadores da união entre franciscanos/as e jesuítas, a “Revolução Laudato Sí” está alinhada em dois caminhos vigorosos movidos por duas espiritualidades que são intensamente convergentes. “Desde o Santo de Assis e o Santo de Loyola, até nossos dias, existe algo de muito profundo que interconecta estes dois caminhos e as práticas que lhes são inerentes, em um natural enriquecimento mútuo. A família inaciana e a família franciscana se percebem unidas, especialmente, no cuidado com os dons da criação, com a casa comum e com a construção de relações justas e respeitosas”, explicam.

À frente da organização da Revolução Laudato Si Brasil estão o Serviço Interfranciscano de Justiça, Paz e Ecologia da Conferência da Família Franciscana no Brasil (Sinfrajupe), o Observatório Luciano Mendes de Almeida (OLMA), articulador da Rede de Justiça Socioambiental dos Jesuítas, e o Movimento Católico Global pelo Clima. São parceiros o programa MAGIS Brasil e a Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia (FAJE).

Na Carta em que explicitam o sentido e os objetivos da união entre as duas forças, os idealizadores afirmam: “Muitos elementos potentes nos unem. Franciscanos e Jesuítas possuem uma história em comum, são cúmplices em uma declarada aliança com os pobres, com os descartados de nossa sociedade, com os vulnerabilizados em sua dignidade. Para nós, franciscanos e jesuítas, não existe Revolução sem combater os pilares que estruturam as desigualdades de nossa sociedade, não existe Revolução longe da defesa da verdadeira democracia, não existe Revolução sem caminhar junto aos pobres e perseguidos”.

É neste contexto de processo dinâmico de caminhada, que franciscanos/as e jesuítas entendemos a necessidade de nos unir no projeto Revolução Laudato Si. Entre nossos povos latino-americanos e caribenhos encontramos muitas formas alternativas e respeitosas à totalidade de vida, buscas de outros estilos de vida, gerando economias solidárias, sustentáveis e integrais, bem como muitos processos de resistência e luta populares contra o modelo consumista e neoliberal.

Construir relações justas com os outros e com os Dons da criação são elementos imperativos nesta Revolução. A coragem de nossos Santos fundadores nos intima para nos alinharmos juntos e abraçados nesta mesma missão revolucionária. Que Cristo, nosso Irmão Maior e Companheiro ilumine nossos caminhos e nos faça crescer no amor, fé e esperança! Que sintamos em profundidade Deus em todas as coisas e sejamos permanentes construtores da paz e do bem.