OLMA: quatro anos construindo redes em prol da Justiça Socioambiental

Aniversário do Observatório é celebrado por personalidades ligadas à questão socioambiental

No dia 16 de agosto, o Observatório Nacional de Justiça Socioambiental Luciano Mendes de Almeida (OLMA), organismo articulador e representativo da Rede de Promoção para a Justiça Socioambiental da Província dos Jesuítas do Brasil (RPJSA), completa quatro anos.

Com a missão de ser um núcleo articulador de instituições e de iniciativas em rede focadas em temáticas comuns ligadas à promoção da justiça socioambiental, o OLMA busca observar e incidir politicamente nas grandes questões socioambientais da realidade nacional, em vários segmentos e territórios, como também desenvolver ações de documentação, sistematização, reflexão, formação, mediação e articulação institucional.

Para isso, sua base conceitual está apoiada na Encíclica Laudato Si’ e no ideário de ecologia integral, trabalhando, assim, sobre uma perspectiva sistêmica e indissociável da justiça socioambiental. Dessa forma, suas ações articulam-se sob três pilares: 

Articulação em rede: no OLMA, encontram-se e alinham-se centros e obras sociais e a dimensão da justiça socioambiental das diferentes frentes de missão da Província. Ao longo desses quatro anos, logrou-se o fortalecimento e a coesão da rede interna, impulsionada, principalmente, por seu Conselho Nacional de Coordenação¹. Além disso, o OLMA marca a presença da RPJSA em cooperação com redes externas, como a Rede Eclesial Pan-amazônica (REPAM), por meio do GT Amazônia e Universidades, do Eixo de Justiça Socioambiental e Bem Viver e do Comitê Ampliado REPAM – Brasil; do Fórum Socioambiental de Mudanças Climáticas (FSMC); da Mobilização Nacional pelos Direitos da Natureza (na coordenação do GT Jurídico); da Rede Nacional de Observatórios e da Plataforma dos Movimentos Sociais pela Reforma Política. 

Incidência política: pilar que garante a interface da RPJSA com atores jurídicos, legislativos e da sociedade civil em espaços nacionais de organização, se fazendo presente na Comissão de Terras, Águas e Povos Tradicionais do Conselho Nacional de Direitos Humanos e nas Frentes Parlamentares de Direitos Humanos, Frente Parlamentar dos Direitos dos Povos Indígenas e Quilombolas e na Frente Parlamentar Ambientalista, da Câmara dos Deputados. 

Produção de conhecimento: por meio do Programa Diálogos em Construção, da série textual Lendo e Refletindo, da Produção de Cartilhas Pedagógicas e da publicação sistemática da Coleção Saberes Tradicionais, o OLMA busca ofertar uma leitura crítica da realidade brasileira, garantindo também espaço de voz às populações mais invisibilizadas em nosso contexto socioambiental. 

Ao longo destes quatro anos, foram desenvolvidas dezenas de ações, de projetos, de iniciativas nas áreas da educação popular, economia solidária, políticas públicas, diálogo inter-religioso, educação das relações étnico raciais, Amazônia, juventudes e povos tradicionais, migrantes e refugiados. Como princípio máximo e orientador dessas ações, observando os Modos de Proceder explicitados no Plano Apostólico da Província, a prerrogativa a todas essas ações é o trabalho em rede e em cooperação.

Fonte: OLMA – V Reunião do Conselho Nacional de Coordenação (02/2018)

 


“Defender as questões socioambientais em parceria com os povos tradicionais é fundamental no contexto em que vivemos, e o OLMA vem fazendo essa caminhada de luta ao nosso lado.” 
Márcia Kambeba, poetisa e liderança indígena – Pará

 

“Na celebração do 4º aniversário do OLMA, agradecemos a Deus pela caminhada. Com a disposição e o empenho de cada pessoa envolvida na concretização do que, um dia, foi um sonho, hoje, formamos uma rede nacional centrada na missão da Companhia de Jesus, com o firme propósito de promover a justiça socioambiental como testemunho da nossa fé no Deus da vida.” Jonas Jorge da Silva – CEPAT

“O OLMA surgiu de um desejo de articular as forças vivas, humanas e institucionais da Província Jesuíta do Brasil, no trabalho da Justiça Socioambiental. Para que isso pudesse acontecer, precisávamos nos conhecer, é isso que vem acontecendo ao longo desses quatro anos. Estamos nos apoiando e criando articulações e parcerias que estão forjando essa nova Província, ainda em construção.” Pe. Marcos Augusto Brito Mendes – CEAS

“Minha sensação é de que não são apenas quatro anos. O trabalho se tornou tão importante, em tão pouco tempo, que parece que o OLMA sempre existiu. Sua reflexão, em especial sobre a Amazônia, trouxe, para a região, uma análise de justiça socioambiental que nos faltava. O OLMA possibilitou um intercâmbio de experiência entre os mais variados grupos da sociedade para que percebessem que ‘tudo está interligado’. Vida longa ao OLMA!” Felício Pontes, Ministério Público Federal

“O Brasil é um país continente. A Companhia de Jesus, em sua nova reorganização no país, buscando pensar sua missão em nível nacional, tem criado várias instâncias que promovam o trabalho em rede. No âmbito da incidência socioambiental, foi criado, em 2016, o OLMA. A vocação dessa instituição é, por um lado, a de ser um observatório que consiga captar o que está acontecendo no país no campo social, político, ecológico, e, por outro, a de promover redes de solidariedade e incidência na defesa da vida e da justiça, sobretudo, dos mais vulneráveis, articulando cristãos e outros parceiros que tenham o mesmo objetivo.” Pe. Geraldo de Mori – FAJE

“Em tempos como o atual, algumas velas fazem a diferença. Mais ainda, uma Rede de velas. Isso é o OLMA, um órgão aglutinador, um catalisador, um facilitador de ignição. Colocar pessoas em contato, promover a rede, articular contatos, facilitar a disseminação em prol da justiça socioambiental. Missão ousada, nem sempre visível. Bastidor necessário. Fermento na missa.” Luiz Beltrão – Comissão Técnica de Meio Ambiente do Senado Federal

“Estamos sempre lutando para defender o nosso território e, nessa caminhada, por meio do CAC, conhecemos o OLMA, que é um articulador importante nesta nossa resistência, com seus estudos e também com as pessoas e instituições com que nos possibilita ter contato. Nos ajudam muito a entender os impactos que as empresas e o agronegócio provocam  na Amazônia e em seus territórios originários e tradicionais, por exemplo.”  Vivia da Conceição Cardoso – Território Quilombola de Abacatal – Pará

“Daqui do Meio do Mundo e esquina com a Foz do Rio Amazonas, o OLMA faz-se presente em nossas vidas, chegando como as marés que inundam nossas ilhas duas vezes ao dia. Em que posso servir? Junto aos Guardiões Ambientais Ribeirinhos, entra na canoa  e navega,  como cuidador da vida, servindo e partilhando o que tem de melhor, deixando-se AMAZONIZAR sempre mais. Toda gratidão!” Benedito Alcântara – Assessor REPAM Brasil e FOSPA – Amapá

“Como dizia Dom Pedro Casaldáliga, ‘Quem fica na floresta um dia, quer escrever uma enciclopédia; quem passa cinco anos, fica em silêncio para perceber o quanto é profunda e complexa a Criação’. O OLMA é conexão, comunhão fraterna entre as possíveis possibilidades de respeito e mundos tão diversos. Para nós, da Comunidade Kilombola Morada da Paz Território de Mãe Preta, o Observatório Luciano Mendes Almeida representa essa fraterna conexão a outros mundos possíveis, nos ensinando que, sim, observar é mais que ver. É estar atento ao tempo.”  Yashodhan Abya Yala, Sangoma da Casa da 7° Ordem CoMPaz, Yalaşé da Nação Muzunguê

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¹ O Conselho Nacional de Coordenação do OLMA é composto por: CBFJ (Cuiabá), CCB (Brasília), CCIAS,  IHU e NEABI/UNISINOS (São Leopoldo), CEAS (Salvador), CEPAT (Curitiba), CPAL/SJPAM (Tabatinga), Diretorias de Ação Social – DAS da ASAV e ANEAS (Porto Alegre e São Paulo), Faculdade Dom Helder Câmara e FAJE (Belo Horizonte), Fundação Fé e Alegria do Brasil (FYA), HUMANITAS, NEABI e OTRR / UNICAP (Recife), NIMA/PUC Rio  (Rio de Janeiro),  Preferência Apostólica Amazônia (PAAM), Missão Indígena, Programa Magis Brasil (MAGIS), SARES (Manaus) e o Serviço Jesuíta a Migrantes e Refugiados (SJMR- Brasil).