Primeira live inaciana discutiu espiritualidade no contexto de pandemia

A teóloga e professora da PUC-Rio, Maria Clara Bingemer, foi a responsável pela reflexão

As comemorações do legado de vida e espiritualidade de Santo Inácio de Loyola encontraram um contexto atípico em 2020. Em meio à pandemia mundial causada pelo coronavírus, a comunhão do encontro físico deu lugar ao virtual. Por isso, a Rede Servir preparou uma série de três lives com a proposta de fazer dialogar o momento presente com os ensinamentos do fundador da Companhia de Jesus.

Na abertura do evento, no dia 16, a professora do departamento de Teologia da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), Maria Clara Bingemer, trouxe uma reflexão muito atual: Espiritualidade no mundo cotidiano.

A palestrante ressaltou que, apesar das dificuldades da pandemia, este também é um tempo favorável para que se possa voltar a ter uma vida simples. Segundo ela, a humanidade vivia em ritmo desenfreado, sem tempo para usufruir dos prazeres e dos afetos, considerando-se dona de tudo, inclusive da criação de Deus (causando desmatamento, poluição de rios, desrespeito entre os iguais). Voltar-se para um momento de reclusão retomaria a consciência de que somos parte da obra do Criador.

“Pode-se inaugurar uma verdadeira revolução simples e, talvez, satisfatoriamente mais humana. Uma vida mais simples necessariamente estimula a usar mais os sentidos: somos convidados a abrir mais as janelas, preferir os ambientes ventilados a refrigerados artificialmente, a música é feita por nós mesmos. Estamos partilhando mais momentos de encantamento e comunhão. Reaprendendo a sentir a natureza, a ter saudades da comunhão na carne que simboliza a do espírito, à espera do dia em que isso será possível novamente”, disse Maria Clara.

O resgate de uma vida de sentidos, em unidade a espiritualidade e a oração são frutos dos Exercícios Espirituais. Para ela, Santo Inácio não elaborou os EE para que fossem praticados somente em circunstâncias extraordinárias. “A vivência que se aprende deve ser aplicada no cotidiano”, ressaltou.

“É possível fazer a conciliação de uma vida de sentidos com oração e exercícios espirituais. Não necessariamente conventual, mas cotidiana, de família, profissão, relações, comunidades e atividades; havendo, todavia, que preservar os tempos de silêncio e oração que preparam o interior para buscar a presença de Deus em todas as coisas, como bem disse Inácio”, afirmou a professora.

Mediada por Ir. Epifanio Barbosa, diretor-geral do Colégio São Francisco Xavier (SP), a atividade também contou com a interação entre a palestrante e o público por meio de perguntas e respostas. A discussão proposta por mais de uma hora levantou, entre outros assuntos, a importância de que ter uma vida espiritual é também buscar sentido. Ter um encontro com Cristo significa fugir das banalidades que cercam a existência e provocam incertezas.