Papa: “ser cristão é estar ao lado dos pobres”

Discurso fez parte das comemorações pelos 70 anos da revista jesuíta Aggiornamenti Sociali

Em 6 de dezembro, o Papa Francisco recebeu em audiência cerca de 50 jornalistas e colaboradores da revista semanal italiana “Aggiornamenti Sociali” (Atualizações Sociais). O encontro faz parte das comemorações pelos 70 anos de fundação do periódico jesuíta, que caracteriza-se pelo aprofundamento e pela análise de temáticas sociais, políticas, eclesiais e internacionais. Em seu discurso, o Santo Padre encorajou um amor preferencial pelos pobres e sofredores, além da construção de pontes entre as pessoas por meio da escuta, do diálogo e da caminhada juntos.

Em suas observações preparadas para este encontro com a “Aggiornamenti Sociali”, o Pontífice citou o lema da revista “Orienta-se no mundo que muda” e enfatizou a importância de discernir para orientar os membros da sociedade na direção certa. De acordo com  Francisco, isso consiste em reconhecer e seguir a voz do Espírito nos níveis pessoal, civil e eclesial.“Não é suficiente treinar a sensibilidade espiritual, que é indispensável, são necessárias competências e análises específicas”, observou o Papa. Em seguida, acrescentou:“Para os cristãos, o discernimento dos fenômenos sociais não pode ser independente da opção preferencial pelos pobres. Antes de ajudá-los, esta opção requer que estejamos ao lado deles, mesmo quando consideramos as dinâmicas sociais”.

Um caminho a ser percorrido juntos

Francisco recorda que “o discernimento dos fenômenos sociais não pode ser realizado por uma única pessoa. Ninguém – nem mesmo o Papa e a Igreja – consegue abraçar todas as perspectivas relevantes: é preciso de um confronto sério, que envolva todas as partes em causa”. Para isso, no entanto, é fundamental uma dinâmica na qual todos falem com liberdade, mas também escutem e estejam disponíveis a aprender e a mudar.

“Dialogar é construir um caminho no qual percorrer juntos e quando necessário, ajudando-se e estendendo-se a mão. As divergências e os conflitos não podem ser ignorados ou dissimulados, como muitas vezes temos a tentação de fazer, mesmo na Igreja, mas assumidos, não para ficarem bloqueados sem conclusões, mas para abrir novos processos, porque o conflito jamais pode ser a última palavra”, afirmou Francisco.

No que se refere a iniciativas para criar redes, participar de eventos, ativar grupos de pesquisa, o Papa os encorajou sugerindo três âmbitos particularmente significativos:

“O primeiro é a integração de grupos da sociedade que por vários motivos são marginalizados, nos quais mais facilmente encontra-se as vítimas da cultura do descarte”.

“O segundo âmbito refere-se ao encontro entre as gerações, do qual no Sínodo dos Jovens reconhecemos a urgência”.

E o “terceiro âmbito é a promoção de ocasiões de encontro e ação comum entre cristãos e crentes de outras religiões, mas também com todas as pessoas de boa vontade”.

A alegria do compromisso social

Por fim, o Santo Padre pediu aos integrantes do periódico que não se desencorajassem em seu compromisso com a justiça e o cuidado da casa comum, dizendo que isso está associado a uma promessa de alegria e de plenitude. E concluiu: “Ficar ao lado dos pobres é um encontro com sofrimentos e injustiças, mas também uma felicidade genuína e contagiosa”.

Fonte: Vatican News