Editorial: Pela nossa missão, sair da menoridade


A Igreja no Brasil instituiu 2018 como o Ano do Laicato, com o tema Cristãos leigos e leigas, sujeitos na ‘Igreja em saída’, a serviço do Reino e o lema Sal da Terra e Luz do Mundo (Mt 5,13-14). A iniciativa busca celebrar a presença dos cristãos leigos no País, aprofundando sua identidade, vocação, espiritualidade e missão, a fim de serem testemunhas de Jesus Cristo e de seu Reino na sociedade. Nesta edição, o Em Companhia nos faz um convite à reflexão sobre o protagonismo do laicato. Abaixo, confira o editorial:

 

“Ouço, agora, porém, exclamar de todos os lados: não raciocineis! O oficial diz: não raciocineis, mas exercitai-vos! O financista exclama: não raciocineis, mas pagai! O sacerdote proclama: não raciocineis, mas crede!” (Immanuel Kant, 05-12-1783)

Com o tema Cristãos leigos e leigas, sujeitos na ‘Igreja em saída’, a serviço do Reino e o lema: Sal da Terra e Luz do Mundo (Mt 5, 13-14), o ano nacional do laicato é mais uma oportunidade para refletir sobre a presença e atuação dos cristãos leigos e leigas na Igreja e na sociedade.

Na trilha do Concílio Vaticano II, homens e mulheres são desafiados a mergulhar em águas mais profundas, em meio às intempéries de uma crise multidimensional.

O império do medo, do autoritarismo e da fragmentação dos vínculos sociais tem apequenado o devir histórico de milhares de pessoas pelo mundo. Assentidas ou irrefletidas, as tutelas continuam aí, precisando ser rompidas. No âmbito eclesial, leigos e leigas são chamados a sair da menoridade, assumindo o seu batismo.

O Papa Francisco tem sido um grande defensor do protagonismo dos leigos e leigas. Em visita ao Chile, no início do ano, Francisco disse que “a missão é de toda a Igreja, e não do sacerdote ou do bispo” e que “os leigos não são nossos servos nem nossos funcionários. Eles não devem repetir como ‘papagaios’ o que dizemos.”

“No âmbito eclesial, leigos e leigas são chamados a sair da menoridade, assumindo o seu batismo”

Essa é a Igreja em saída que requer nossa maioridade. Não por soberba, mas para que a boa notícia do Evangelho possa se expandir. Na liberdade dos filhos de Deus, precisamos nos inserir em um permanente aggiornamento das estruturas eclesiais, ampliando a cultura de participação em favor da missão instituída por Jesus Cristo.

Somos sal da terra e luz do mundo quando saímos de nossas sacristias e priorizamos o mundo como o foco de nossa evangelização. Nessa tarefa, há duas palavras que são muito importantes na missão da Companhia de Jesus e que se estendem a todos os leigos e leigas que dela participam: discernimento e fronteira.

Discernir é uma atitude essencial em uma conjuntura na qual a palavra crise aparece adjetivada em diferentes dimensões: econômica, política, ecológica, energética, alimentar, ética, da democracia, do trabalho, civilizacional etc. Diante da crise estrutural e sistêmica, urge discernir nossa presença de fé, como seguidores de Jesus Cristo.

Para fazer esse discernimento, estar na fronteira é crucial. É evangélico sair de nossa zona de conforto e avançar para as periferias geográficas e existenciais do mundo em que estamos inseridos.

Em um contexto de globalização da indiferença e cultura do descarte, a fé cristã nos impele a construir novos laços de convivência e solidariedade, em prol da reconciliação com Deus, entre nós e com a Criação.

O que experimentamos na intimidade com Deus precisa refletir no mundo em que vivemos. É o que nos aconselha o Papa Francisco com sua recente exortação apostólica Gaudete et exsultate, sobre o chamado à santidade no mundo atual: “Pede, sempre, ao Espírito Santo, o que Jesus espera de ti em cada momento de tua vida e, em cada opção que tenhas que tomar, para discernir o lugar que isso ocupa na tua missão. E permite-lhe plasmar em ti aquele mistério pessoal que possa refletir Jesus Cristo no mundo de hoje” (nº 23).

Pela graça do Espírito Santo, humildemente, esperamos que a nossa maioridade como cristãos leigos e leigas traga novo frescor à vivência da fé cristã.

 

Boa leitura!

 

 

 

 

 

 

Jonas Jorge da Silva

Mestre em Ciências Sociais e coordenador do CEPAT (Centro de Promoção de Agentes de Transformação), em Curitiba (PR)

 

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