CPAL divulga nota em solidariedade ao povo nicaraguense


Há algumas semanas, a Nicarágua, país da América Central, enfrenta uma série de protestos contra a reforma da previdência proposta pelo Governo do presidente Daniel Ortega. Estudantes e manifestantes acusam a polícia de reprimir essas manifestações de forma violenta. Segundo agências de notícia, centenas de pessoas ficaram feridas e mais de 30 pessoas já morreram desde o início dos protestos.

No domingo (22), o papa Francisco pediu o fim da violência na Nicarágua. “Estou muito preocupado com tudo o que está acontecendo nesses dias. Expresso minha proximidade com a oração por este país amado e me uno aos bispos para pedir o fim de toda a violência, evitando um derramamento de sangue inútil, e que as questões abertas se resolvam pacificamente e com senso de responsabilidade”, disse, após a oração Regina Coeli, na praça de São Pedro do Vaticano.

Em solidariedade ao povo nicaraguense e aos jesuítas que atuam no país, a CPAL (Conferência dos Provinciais Jesuítas da América Latina e Caribe) divulgou uma nota. Confira:

A Conferência dos Provinciais Jesuítas da América Latina e do Caribe (CPAL) apoia e subscreve o comunicado de nossos irmãos jesuítas da Província da América Central e da comunidade educativa da Universidade Centro-Americana de Manágua (UCA).

Lamentamos profundamente os atos de violência contra a população que, pacificamente, manifesta sua oposição à reforma da seguridade social, e condenamos qualquer resposta violenta como antidemocrática, seja por parte de agências estatais ou de indivíduos e grupos organizados pelo governo.

“Convocamos o Senhor Nosso Deus a derramar sua bênção sobre o povo nicaraguense, dando a todos eles generosidade e coragem para construir uma nação próspera, justa e fraterna […]”

Expressamos nossa solidariedade às vítimas e a todas as instituições, indivíduos e famílias que sofreram ataques nos últimos dias e agradecemos a coragem e o desejo corajoso de construir uma Nicarágua e uma América Latina livre, justa e democrática.

Rejeitamos todas as formas de intimidação, repressão, controle e violência contra instituições, grupos e pessoas que, como a UCA, trabalham com generosidade e profissionalismo na formação da consciência pública e na promoção dos valores mais profundos que nos inspiram.

Pedimos ao presidente Ortega que ouça o clamor do povo nicaraguense que exige respeito por seus direitos humanos e cidadãos. Pedimos que, o mais rápido possível e para evitar mais derramamento de sangue inocente, convoquem um grande diálogo nacional.

Manifestamos nossa solidariedade com os nossos companheiros jesuítas e colaboradores da obra apostólica da Companhia de Jesus, juntamente com o povo nicaraguense, que segue sendo fiel aos ideais de igualdade, fraternidade, solidariedade e justiça, que um dia tornaram este país grandioso.

Convocamos o Senhor Nosso Deus a derramar sua bênção sobre o povo nicaraguense, dando a todos eles generosidade e coragem para construir uma nação próspera, justa e fraterna; e Lhe pedimos lucidez e sabedoria nestes momentos infelizes, especialmente para suas autoridades, porque “a voz do sangue de seu irmão clama a mim da terra”, diz o Senhor (Gn 4, 10).

 

Pe. Roberto Jaramillo Bernal, SJ

Presidente do CPAL

 

 

Fonte: CPAL/Estadão/JB

Foto: EFE/Paolo Aguilar