Jesuítas realizam reunião sobre a situação venezuelana


Nos dias 11 e 12 de abril, os jesuítas da CPAL (Conferência de Provinciais Jesuítas da América Latina e Caribe) estiveram reunidos na Cidade do Panamá (Panamá), para discutir a situação venezuelana e elaborar propostas de colaboração com a missão do Corpo Apostólico da Companhia de Jesus na atual realidade do país.

Pela Província Jesuíta da Venezuela, estiveram presentes na reunião: Pe. Luis Ugalde (diretor do CERPE – Centro de Reflexão e Planejamento Educativo), Pe. José Virtuoso (reitor da UCAB – Universidade Católica Andrés Bello), Pe. Manuel Zapata (diretor do Gumilla – Centro de Pesquisa e Ação Social), Pe. Yovanny Bermúdez (diretor do SJR/VEN – Serviço Jesuíta a Refugiados Venezuela), Pe. Dizzi Perales (sócio da Província da Venezuela) e Pe. Rafael Garrido (Provincial dos Jesuítas da Venezuela).

Além deles, participaram do encontro: Pe. Mauricio García (diretor da RJM-LAC – Rede Jesuíta com Migrantes na América Latina e Caribe e do SJR/COL – Serviço Jesuíta a Refugiados Colômbia), Pe. Luis Javier Sarralde (assistente de apostolados da Província da Colômbia), Pe. Rafael Moreno Villa e Pe. Mario Serrano Marte (respectivamente, atual e próximo delegado do Apostolado Social da CPAL), Pe. Agnaldo Junior (diretor do SJMR Brasil – Serviço Jesuíta a Migrantes e Refugiados) e o Pe. Roberto Jaramillo (Presidente da CPAL).

Após a reunião, sobre a situação venezuelana, concluiu-se que:

  1. Há uma grave e crescente crise sistêmica na Venezuela, que está gerando uma emergência humanitária preocupante, cuja magnitude não está sendo reconhecida ou abordada, internamente e internacionalmente, em suas reais proporções, e que supera as diferentes posições políticas, econômicas e ideológicas que é urgente enfrentar.
  1. O número de pessoas que, em consequência desta crise, emigra da Venezuela ou necessita de proteção internacional, tornou-se tão grande que já superou a capacidade operacional ordinária das instituições humanitárias privadas, governamentais ou multilaterais dos países fronteiriços.
  1. Em qualquer hipótese de evolução desta situação alarmante, o mais provável é que, a curto e médio prazo, a emergência humanitária seja mantida ou aumentada, o que prolongará o sofrimento da população venezuelana.
  1. A Igreja, e nela a Companhia de Jesus, é capaz de dar uma contribuição imparcial na solução desta crise, porque é uma instituição que tem credibilidade junto à população baseada em sua experiência acumulada, seu conhecimento da realidade, seu nível de inserção e compromisso com os pobres, suas relações nacionais e internacionais, o papel que desempenha na defesa dos direitos humanos e da educação.
  1. Consequentemente, é urgente e necessário que os jesuítas da Venezuela, juntamente com seus irmãos da América Latina e toda a Companhia de Jesus, em aliança e colaboração com outras instituições eclesiais e civis, contribuam, o mais breve possível, para criar condições que gerem esperança, respondam à emergência humanitária e aborde as causas estruturais que a geraram.

 

Neste contexto foram desenvolvidas algumas propostas visando:

  1. Promover, fortalecer e articular mais o trabalho em favor dos migrantes venezuelanos ou dos que necessitam de proteção internacional por meio da Rede Jesuíta com Migrantes-LAC, nossas universidades, colégios, paróquias, centros sociais, centros de espiritualidade, rádios, etc.
  1. Estabelecer formas concretas de colaboração das comunidades e obras do CPAL com a missão do Corpo Apostólico da Companhia de Jesus na Venezuela, que inclui jesuítas, colaboradores e suas famílias.
  1. Colaborar na busca e construção de soluções políticas alternativas para a Venezuela e para a crise democrática na região.

 

As propostas serão apresentadas na íntegra e avaliadas na próxima reunião da CPAL, que acontecerá no Haiti, na primeira semana de maio.

Estamos convencidos de que as alternativas à situação venezuelana devem ser concebidas e realizadas pelos venezuelanos, mas ao mesmo tempo consideramos que o apoio solidário da comunidade internacional é necessário e urgente na criação de condições que permitam um verdadeiro diálogo, acordo de propostas e planos de ação.

 

 

Fonte: CPAL