Valores para um mundo sustentável e de paz


Foto: Comunicação BRA/Ir. Lucemberg de Oliveira Lima, SJ

Manhã de segunda-feira, João segue preocupado para o trabalho. Tenso, dirige o carro sem prestar atenção ao trânsito intenso. Só volta à realidade ao ser fechado, bruscamente, por um motoboy. Instintivamente, pisa no freio, evitando um acidente. Ao parar no semáforo, o mesmo motoqueiro balança a cabeça e diz: “Você me desculpe. Estou correndo para dar conta de tantas entregas e, na pressa, fechei seu carro sem querer”. No mesmo instante, João abre o vidro do carro e responde: “Imagino a pressão, mas, por favor, se cuide, você deve ter uma família lhe esperando em casa”. Trocam sorrisos e seguem seu destino.

A história acima despertou em você a vontade de viver em um mundo mais humano? Onde as pessoas sejam mais compreensivas e menos agressivas? Então, continue a leitura deste texto! Você concluirá que é possível, sim, transformar o mundo em um lugar mais justo e tolerante. Essa é a proposta da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil para a 55ª edição da Campanha da Fraternidade 2018. Ao escolher o tema Fraternidade e superação da violência, junto ao lema Vós sois todos irmãos, extraído do capítulo 23 do Evangelho de São Mateus, a CNBB quer provocar a reflexão sobre a violência e, particularmente, como superá-la. “A violência atinge toda a sociedade brasileira em suas múltiplas esferas, o caminho para superá-la é a fraternidade entre as pessoas, que se unem para implementar a cultura da paz”, explicou o padre Luís Fernando da Silva, secretário-executivo das Campanhas da CNBB, ao site Canção Nova.

O padre Luís Fernando contou que, além de trazer dados sobre a dimensão do problema da violência no Brasil, a Campanha da Fraternidade 2018 tem o objetivo de mostrar iniciativas voltadas à superação desse cenário, assim como quer servir de incentivo para o surgimento de novas propostas nesse sentido. Ele explicou que o lema Vós sois todos irmãos é um convite para a superação da violência por meio do reconhecimento de que cada pessoa é irmão e, desse modo, não se pode deferir contra ele atos de violência. Conheça, ao final deste texto, o que a Igreja e a Companhia de Jesus têm feito em prol da tolerância e da superação da violência e da desigualdade social no Brasil.

TEMPOS DIFÍCEIS

“Vivemos em um tempo de muitas contradições. O mundo tem crescido muito na pluralidade e diversidade de opiniões. Somos uma aldeia global, pois as comunicações tornaram o mundo bem menor do que há 60 anos”, destaca o padre Luiz Araujo Gomes Pinto Júnior, vigário da Paróquia Nosso Senhor do Rosário, em Russas (CE), que atua nas pastorais sociais da Comissão Pastoral da Terra, dos Catadores, da Criança, da Pessoa Idosa, Carcerária e da Sobriedade. Ele acrescenta que, no entanto, se percebe um movimento crescente de intolerância de todos os tipos, religiosa, sexual, social, de classe, cultural, política etc. “A intolerância vem de uma crise social, política, econômica e cultural – crise de valores –, que gera injustiça, desigualdade, exclusão, miséria e, consequentemente, a violência. Falta-nos voltar ao Evangelho, beber de sua fonte que é cheia de mensagens de misericórdia, de pontes, de encontros e de acolhimento do diferente, reconhecendo a todos como filhos de um mesmo Pai”, afirma o jesuíta.

O estudante jesuíta do 3º ano de Filosofia na FAJE (Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia), Paulo Henrique Carboni ressalta que a intolerância e a violência são problemas complexos, mas nada impede que haja uma reflexão aprofundada sobre essas questões. “O ódio, a intolerância e a violência não podem ser vencidos com discursos de ódio, intolerância e violência. O que também não impede a nossa indignação acerca das agressões que recebemos e/ou percebemos no dia a dia. Acredito ser uma questão de reflexão para a nossa sociedade, a Igreja, as universidades e as famílias”, adverte o estudante, que atua junto aos portadores de HIV, no Grupo Solidariedade, em Belo Horizonte (MG).

“O ódio, a intolerância e a violência não podem ser vencidos com discursos de ódio, intolerância e violência. “

Paulo Henrique Carbon, estudante jesuíta

Padre António Ronilson Braga de Sousa, assessor da Pastoral Universitária da Diocese de Roraima, lembra que “A PAZ É FRUTO DA JUSTIÇA”. Nesse sentido, ele questiona como podemos viver em paz em um País onde até a Justiça é injusta? O jesuíta ressalta que a raiz da intolerância em que vivemos atualmente está no fundamentalismo político e religioso em que nos encontramos.

Orientador Espiritual do Grupo Diversidade Cristã, ligado ao Centro Cultural de Brasília (CCB), padre Alex Gonçalves Pin diz que “as raízes da intolerância e da violência em que estamos vivendo são profundas”. Ele afirma que, para as pessoas LGBTs (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros), esses problemas fazem parte da vida em suas diversas modalidades. “A insegurança e o medo frente às possibilidades reais de sofrer algum tipo de violência são as principais motivações para uma pessoa não se assumir LGBT. O ‘armário’ é lugar, lamentavelmente, mais seguro, embora, simultaneamente, represente ainda segmentação e, em alguns casos, ‘prisão’ para a pessoa LGBT”, conta o jesuíta.

O padre Alex Pin destaca que tem acompanhado casos de violência psicológica e física que ocorrem nas famílias e na sociedade. Ele lembra que, com muita frequência, a violência homofóbica em casa é respaldada por orientação religiosa, decorrente de discursos violentos proferidos em púlpitos e altares. “As diversas igrejas têm exercido funções diferentes nesse cenário. Há experiências de inclusão e criação de consciência respeitosa. Mas há também experiências de violência provenientes de ação pastoral de padres e pastores que, pautados em leituras fundamentalistas da Bíblia, proferem discursos de ódio que resultam em violência familiar, inclusive a expulsão de filhos e filhas de casa”, explica o jesuíta.

Apesar de sentir que a intolerância e a violência estão cada vez mais fortes, a advogada Juliana Rocha, coordenadora da área jurídica do SJMR-BH (Serviço Jesuíta a Migrantes e Refugiados, de Belo Horizonte/MG), diz que o lado positivo de tudo isso é a sociedade estar mais atenta a essa questão e começar a refletir sobre o tema. “As discussões sobre o feminismo, o feminicídio e as questões de gênero têm sido pauta mundial. No SJMR-BH, os casos envolvendo agressão contra as mulheres também têm aumentado. A especificidade é que, muitas vezes, a intolerância e a violência manifestam-se em razão de questões culturais – ou seja, no país da pessoa, dar um tapa na esposa durante uma briga calorosa é aceitável”, ela conta, ressaltando que “o machismo também é um aspecto grave, pois o fato de um homem enxergar a sua companheira como alguém inferior, com menos direitos, lhe dá a falsa premissa de que lhe é permitido abusar e dominar aquela mulher”.

Juliana diz que, por meio do trabalho que realizam no SJMR-BH, percebe-se o aumento do radicalismo e da xenofobia na sociedade brasileira. “Somos testemunhas de alguns casos de xenofobia contra os imigrantes que acessam os nossos serviços. Essa atitude tem sido crescente no ambiente de trabalho, com vários casos de racismo. Infelizmente, o aumento da xenofobia e da intolerância é também uma tendência mundial”, alerta a advogada.

 ACEITAR AS DIFERENÇAS

“Nós temos uma dificuldade enorme de lidar com a diferença. E uma facilidade enorme de excluir, estabelecer preconceito, estabelecer muros e guetos. Essa é uma tradição histórica muito forte entre nós”, destacou o historiador Leandro Karnal, em entrevista à revista da livraria Cultura, em 2015. Ele salientou ainda que o seu desejo e a sua utopia é alcançarmos o que ele chamou de “tolerância ativa”, ou seja, quando entendermos que a diferença não nos enfraquece, mas nos fortalece. E concluiu: “Eu não ser o padrão do mundo, além de ser uma alegria para o mundo e uma felicidade, faz com que eu possa ver as questões sob pontos de vista distintos”.

O padre Alex Pin ressalta que as raízes da intolerância e da violência em que estamos vivendo são profundas. “Elementos que precisam ser encarados com urgência são a ignorância e o preconceito, no sentido de conceito não refletido. Ao falar de homoafetividade ou transexualidade, muitos de nós têm ideias distorcidas, preconceituosas e, sobretudo, relacionadas à moral e à religião. A aproximação e o conhecimento das dores e angústias, alegrias e esperanças, de cada pessoa LGBT nos convida à conversão”, recomenda o jesuíta. E acrescenta: “Assim como é dever acercar-nos e fazer-nos juntos dos pobres, dos povos indígenas, dos migrantes e refugiados, é preciso também aproximar-nos da realidade de mulheres e homens LGBTs, filhos amados de Deus, queridos como são, para, conhecendo, reconhecer, respeitar e amar”.

“Só seremos mais tolerantes quando aprendermos a nos colocar no lugar do outro”, afirma padre Ronilson Braga, da Pastoral Universitária da Diocese de Roraima. Ele propõe que não basta colocar-se mentalmente no lugar do outro, senão que devemos experimentar na própria pele o que o outro vivencia. “Assim, exercitaremos toda a nossa empatia e seremos bem mais misericordiosos. A esse exercício proposto chamamos de compaixão, que é a essência do Cristianismo”, explica o jesuíta.

“O debate acerca desses temas faz com que as pessoas leiam, pensem e reflitam a respeito da intolerância e se conscientizem. A informação é primordial para o combate à intolerância”

Juliana Rocha, coordenadora da área jurídica do SJMR-BH

O padre Júnior, vigário em Russas (CE), lembra que a intolerância sempre parte da não aceitação do outro como ele é. “Mas, antes disso, pode haver ainda um problema de não aceitação de si mesmo. Assim, é necessário um trabalho de autoaceitação, de maneira integral, cultivar o amor próprio, para, então, poder amar o outro, aceitar o outro como ele é”, afirma o jesuíta. Segundo ele, ser tolerante não significa concordar com tudo que vem dos outros: “Posso discordar, mas farei de tudo para que aquela pessoa de quem eu discorde tenha o direito de se expressar e agir conforme sua orientação, seja ela religiosa, social, sexual ou cultura”, afirma.

Juliana, do SJMR-BH, acredita que a educação é o caminho mais eficaz para combater o cenário de violência atual. “O debate acerca desses temas faz com que as pessoas leiam, pensem e reflitam a respeito da intolerância e se conscientizem. A informação é primordial para o combate à intolerância”, diz a advogada.

O estudante jesuíta Paulo Henrique acredita que o reconhecimento do outro é uma oportunidade de combate às várias situações de injustiça que presenciamos atualmente. “Ao mesmo tempo, esse reconhecimento do outro acontece quando há uma educação (nesse sentido, ética) que pode oferecer as oportunidades de consenso entre as pessoas”, ele diz, acrescentando: “Não há de se ter uma uniformidade social, longe disso. É preservando a diversidade e a diferença, considerando o reconhecimento humano, que as dissonâncias, a ignorância e a intolerância perdem espaço em nossas relações. Sem dúvida, é difícil isso acontecer! Mas é a chance de reconhecer nos outros a humanidade que também está em mim. A violência que agride, acusa, fere e mata outro ser humano não há de ter lugar quando a experiência de se tornar presente na vida dos outros acontecer”.

Quer refletir mais sobre o tema? Então, acesse o vídeo:

 

INICIATIVAS EM PROL DA TOLERÂNCIA

Diálogo na universidade
O Núcleo de Estudos Afro-brasileiro e Indígena, vinculado ao Instituto Humanitas, da UNICAP (Universidade Católica de Pernambuco), promove ações voltadas para a educação das relações étnico-raciais e dialoga, por meio da articulação e de forma interdisciplinar, com o ensino, com a pesquisa e com a extensão. Assim, há cerca de oito anos, o NEABI tem como objetivo estimular os espaços de educação a promoverem discussões sobre a história da África e das culturas afro-brasileira e indígena. Segundo Valdenice Raimundo, coordenadora da iniciativa, o NEABI tem papel essencial na promoção e no fomento de discussões sobre tolerância. “Aqui, é um espaço de expressão da universidade e ele acolhe as pessoas com suas crenças, seus valores e seu posicionamento como pessoa. Acolhemos pessoas de diversas expressões religiosas, pois, aqui, tem diálogo”, explica.

Atendimento à Mulher Violentada
A área jurídica do Serviço Jesuíta a Migrantes e Refugiados – Belo Horizonte (SJMR-BH), antigo Centro Zanmi, é voltada para a proteção e informação sobre os direitos da população migrante e refugiada. Dentre as violações de direitos ocorridas, há um número significativo de casos envolvendo violência de gênero, explica Juliana Rocha, advogada e coordenadora da área. Nesse contexto de intolerância, a iniciativa busca tratar a questão de forma holística. “Atender mulheres vítimas desse tipo de violência envolve não apenas buscar soluções jurídicas para essas violações, mas também cuidar de outros aspectos da vítima, como o psicológico e o social”, afirma. Em 2016, o SJMR-BH implementou o Projeto Mulheres, que proporcionou um espaço de união entre mulheres. A iniciativa deu tão certo que ganhou autonomia, desvinculou-se do SJMR e, hoje, é um coletivo de mulheres migrantes chamado Cio da Terra.

Acolhimento da diversidade
O Grupo Diversidade Cristã de Brasília é um espaço de acolhida, solidariedade e também de evangelização e amadurecimento. Os encontros do grupo acontecem no CCB (Centro Cultural de Brasília), obra da Companhia de Jesus. O padre Alex Pin, orientador espiritual do Grupo, explica que a iniciativa atua em três instâncias principais: o acompanhamento humano-espiritual; a formação bíblico-catequética, ou seja, a vivência da fé cristã baseada na espiritualidade; e a colaboração com a criação da cultura de respeito e inclusão das pessoas LGBTs. Para o jesuíta, “todo ser humano tem o direito a ser quem é, como é. Essa é a primeira graça que Deus nos dá, a graça da existência. Muitos dos nossos jovens tiveram essa realidade precarizada pelos esquemas morais preestabelecidos de nossa sociedade. Isso lhes causou muito sofrimento e ainda causa”, conta. Embora a iniciativa não seja exclusiva da Companhia de Jesus, o grupo tem valorizado muito a presença jesuíta. “Desde a fundação, há cinco anos, vários jesuítas têm marcado presença na vida do grupo”, conta padre Alex.

O trabalho das pastorais
As pastorais são trabalhos desenvolvidos pela Igreja em ações organizadas e dirigidas pelas Dioceses e pelas paróquias, para atuar em diferentes realidades. Esse trabalho, inspirado pelo Evangelho, é realizado de forma voluntária. O padre Luiz Araujo Gomes Pinto Júnior, vigário da Paróquia Nossa Senhora do Rosário, em Russas (CE), é responsável por acompanhar diversas pastorais, como dos Catadores, da CPT (Comissão Pastoral da Terra), da Criança, da Pessoa Idosa, a Carcerária e da Sobriedade, recém-fundada na paróquia. Algumas delas trabalham diretamente com questões ligadas à tolerância e à empatia. Na Pastoral Carcerária, o jesuíta explica que “o objetivo é ser presença de Jesus no cárcere, pois ele mesmo se identifica com eles: ‘estive preso e me visitaste’ (Mt, 25). Esse mandato de Jesus constitui, por si mesmo, um ponto de tolerância e empatia que vem da sabedoria de nosso mestre, de nosso inspirador maior da não violência”. Na Pastoral da Sobriedade, que atua junto aos dependentes químicos que vivem com suas famílias ou mesmo nas ruas, a misericórdia é o princípio básico. “O método dessa pastoral é trabalhar os 12 passos, que vão desde o admitir sua dependência, química ou de outro tipo, até o aceitar sua realidade, passando pelo arrepender-se, pelo perdoar-se e até pelo festejar e celebrar”, afirma.

Inserir-se na realidade do outro
Cada vez mais é exigido das universidades o envolvimento ativo nas realidades em que estão inseridas. Nesse contexto, podemos interpretar o pedido do Papa Francisco para uma ‘Igreja em saída’ como válido também para as instituições de Ensino Superior, pois precisamos formar para a vida; formar para viver ‘em saída’; ou seja, atentos ao mundo que nos cerca. Na Pastoral Universitária da Diocese de Roraima, por exemplo, isso já está acontecendo por meio do método Ver>Julgar>Agir, em que os membros são incentivados a pensar alternativas para a construção de um mundo mais justo. O padre jesuíta Ronilson Braga, assessor diocesano da Pastoral Universitária, dá um bom exemplo. “Após uma análise do contexto roraimense, sentimo-nos impulsionados à prática no serviço da fé e da promoção da justiça. Aqui, por exemplo, é a situação do migrante. Em conjunto, a comunidade universitária de Roraima envolveu-se para organizar a documentação dos migrantes que chegavam ao DPF (Departamento da Polícia Federal); ministrar aulas de português gratuitas para os migrantes e mesmo outras assessorias imediatas, como o combate à xenofobia. Assim, a essência da Pastoral Universitária aqui é ser tolerante e também educar para a tolerância, pois sua atuação ultrapassa os muros das universidades eclesiásticas ou pontifícias e se instala também nas universidades civis”, finaliza.

Solidariedade com os irmãos
Fundado em 1988, o Grupo Solidariedade é uma entidade civil organizada que acompanha os portadores de HIV/AIDS. Além de grupos de apoio e terapia, a iniciativa oferece cestas básicas, cursos de português, matemática, oficinas de artesanato, conscientização acerca do HIV e da AIDS. Nesse contexto, a atuação da Companhia de Jesus se dá por meio da colaboração dos estudantes jesuítas em diversas frentes da iniciativa, como cursos e oficinas, além de, junto com as Irmãs Vicentinas, também acompanharem a Oficina de Apoio, espaço para a partilha. Segundo o estudante jesuíta Paulo Henrique Carboni, esses encontros são uma oportunidade de conhecer a realidade das pessoas, suas dificuldades e alegrias. “Nesses espaços, temos a chance de crescer como coletivo. Para quem, muitas vezes, foi tratado com desconfiança, pelo preconceito, ou ainda pela doença, a possibilidade de sentir-se sozinho é grande. Por isso acredito que, no espaço do grupo de apoio, a vida em companhia acontece. Estar juntos e identificados juntos é a força capaz de impulsionar aquelas pessoas a vencerem as dificuldades”, acredita.

 Valorização da cultura indígena
O Centro Educacional Fé e Alegria Frei Antônio, ligado à Companhia de Jesus, atende a cerca de 120 alunos indígenas com o Projeto Warâ Kberamã – Espaço de Todos e Todas. Esse trabalho envolve a mediação para integração de indígenas e não indígenas. As atividades são voltadas para a divulgação, fortalecimento e valorização da cultura indígena Xerente. Trimestralmente, o Centro realiza ações dentro das aldeias, como: reuniões familiares, visitas individuais e colônias de férias. Para esse trabalho de intermediação dentro das aldeias, foi contratado também um educador social indígena, que mora dentro de uma das três maiores aldeias da região. “É comum, na cidade, ouvirmos as pessoas se referirem aos indígenas de forma preconceituosa e até agressiva”, conta Rosimar Neres de Sousa Oliveira, coordenadora de Projetos Fé e Alegria-Tocantínia (TO). Mas, segundo ela, depois da chegada do Fé e Alegria à cidade, há 16 anos, as ações de combate à intolerância e discriminação se intensificaram e é visível a diminuição do preconceito dentro do Centro Educacional. “Tem se tornado comum crianças e jovens não indígenas se interessarem pela cultura Xerente, se pintando, dançando e cantando músicas indígenas”, conta Rosimar.

 

*Essa matéria foi publicada na 42ª Edição do informativo Em Companhia (Março 2018). Quer ler a edição completa? Então, clique aqui!