Na Unicap, Centro de Teologia e Ciências Humanas lança projeto

Iniciativa visa trabalhar várias perspectivas de um livro literário nos cursos da instituição

O Centro de Teologia e Ciências Humanas (CTCH) da Unicap (Universidade Católica de Pernambuco), por meio do curso de Licenciatura em Letras, lançou o Projeto Pedagógico – Metodologia ativa no CTCH: Para dar cabo de a Machado. A apresentação do projeto foi realizada pelo professor do curso de Letras e membro do Instituto Humanitas Unicap – IHU, padre André Araújo.

O projeto é uma iniciativa do ex-diretor do CTCH e atual pró-reitor de Graduação e Extensão, Prof. Dr. Degislando Nóbrega, que solicitou às coordenações dos cursos, partindo de Letras, uma proposta que trabalhasse a leitura para os alunos do Centro.

“Como a gente sabe que a demanda por leitura e por interpretação dos alunos é grande, o professor Degislando pensou como a gente poderia organizar, primeiramente por Letras e em seguida pelos outros cursos, um projeto de leitura que abarcasse todas as áreas do conhecimento. Então, assim que chegou à Universidade padre André Araújo, pioneiro na metodologia de ensino ativa, exigida para as licenciaturas, trouxe essa proposta de trabalhar um livro literário com várias perspectivas, como a filosófica, teológica, pedagógica, literária. Essas perspectivas baseadas a partir da obra O Alienista, de Machado de Assis. O título do projeto é: Para dar cabo a Machado e o normal seria: Para dar cabo de Machado, mas aí padre André muda a preposição para mostrar que o conceito é mais além”, explicou a coordenadora do curso de Letras, professora Flávia Ramos.

O projeto proporcionará um encontro por mês com os cursos de todo o Centro para cada um trabalhar o tema sob sua perspectiva e, no final do semestre, haverá uma culminância e os trabalhos dos alunos serão transformados em artigos e materiais de publicação. Segundo professora Flávia, a partir do projeto espera-se surgir propostas maiores de pesquisa.

Para padre André (foto), é vontade do CTCH transformar um pouco o âmbito das licenciaturas, trabalhando as metodologias ativas. “Então, Machado de Assis, na verdade, é uma desculpa, vamos dizer assim, para mostrar que a gente consegue por um único objeto ver várias perspectivas nele. Mostrar como o conhecimento se organiza por várias maneiras de a gente observar esse objeto”, explica.

“Eu tenho medo de instrumentalizar o Machado para mostrar que ele tem relação filosófica, teológica, pedagógica, literária e linguística. Mas, desse modo, a gente consegue fazer com que as pessoas saiam do seu lugar comum e vejam perspectivas diferentes e consigam perceber que um único elemento que gerou o conto do Machado fez com que as pessoas percebessem que nada está isolado, que as coisas têm ligação. Isso nos ajuda a ser menos passivos num momento de interpretar um acontecimento, porque a obra do Machado, também, vai dar elementos para a gente, vai dar ferramental, vai dar condições da gente responder as coisas olhando por outros pontos de vista, que, talvez, não sejam tão evidentes”, afirma o jesuíta.

Ainda, segundo ele, o que se espera alcançar com o projeto, em termos práticos, é fazer com que os alunos despertem e tenham uma relação diferente com o conhecimento “para que não seja uma coisa estática e para que o conhecimento não seja simplesmente o professor como um detentor desse conhecimento. Mas que ele construa, porque o protagonista desse processo é o aluno, e o conhecimento. Na verdade, o aluno pode acessar o conhecimento onde ele quiser, inclusive há bases, plataformas, hoje em dia, para isso na internet, enciclopédias e nos manuais. O professor vai ser um guia desses caminhos, que o aluno consiga perceber que é possível para ele fazer alguma coisa, inclusive inédita, como um pesquisador de uma coisa que ninguém pensou ainda. Por exemplo, o conto do Machado pode provocar uma leitura tal que ele ache que ainda não foi explorada? Pode! E se ele conseguir fundamentar isso com uma boa indicação bibliográfica, com um bom professor que conduza o trabalho, isso é possível? Claro que é”, conclui padre André.

 

Fonte: Unicap (Recife/PE)