Salve a São José, patrono da Companhia de Jesus

Pe. Antônio José de Abreu faz homenagem a São José, mestre silencioso e discreto

Dia 19 de março celebramos o trabalho e a família. Isso porque é nessa data que festejamos a Solenidade de São José – esposo da Virgem Maria, pai adotivo de Jesus. Mas o quanto sabemos desse santo exemplo de homem, justo e trabalhador, que é patrono da Companhia de Jesus?

Para conhecermos mais sobre São José, outro José – que por graça foi batizado em um 19 de março, em paróquia de São José e, por carregar o nome do santo, o escolheu como Santo Onomástico* –, Pe. Antônio José de Abreu escreveu o texto, abaixo, a pedido do Portal Jesuítas Brasil.

 

Pois é, São José, da Casa de Davi: perguntam-me por que o senhor é patrono da Companhia, qual a lógica específica de o ser da Companhia. O problema (e a solução) no fundo é que o senhor é um patrono silencioso e discreto (como talvez fosse boa ideia alguns sermos um pouco).

Então começaram a me ocorrer exemplos de como o senhor é modelo e mestre (silencioso e discreto) para sermos fieis à nossa vocação; em atitudes das que não adianta falar muito, o exemplo é decisivo.

Uma vez escrevi que é próprio de nosso modo de proceder (como ideal) o serviço atento aos sinais dos tempos; um coirmão (melhor que eu) comentou que o que nos distingue, o que interessa é o trabalho exímio, competente; serviço seria “efeito”. Mas o trabalho é meio, meio importante; a ajuda a que somos chamados às pessoas, atentos aos sinais dos tempos, é fim. O senhor foi um trabalhador (muito trabalhador) a vida toda, mas o que lhe deu o Norte foi estar nas mãos de Deus para servir, atento aos sinais Dele.

“No seu tempo, não havia internet, Deus avisava por anjonet, às vezes de madrugada”

O senhor amava a moçoila Miriam e imaginava – coisa mais santa, mais pura, mais deuteronômica – fazê-la companheira de sua vida. Javé fez o senhor companheiro dela, o que cumpriu com afeto, silencioso e atento. Ora, para sermos corpo apostólico temos de abrir mão de projetos pessoais em bem da missão comum, preterir coisas ótimas em favor de simplesmente boas em conjunto; ser colaboradores uns dos outros e também de não jesuítas.

Para isto temos que ser homens da missão, disponíveis também para nos deslocarmos a diversas partes sem resmungar demais, como o senhor naquele sufoco de vai para o Egito, volta do Egito. No seu tempo, não havia internet, Deus avisava por anjonet, às vezes de madrugada. Ao sinal da vontade de Deus, entendida esta, o senhor partia, silencioso, prudente, às vezes sem entender bem a lógica do mandado; estar nos planos de Deus, “Deus sempre maior”.

Continuo pedindo que o senhor me alcance a graça de entender melhor por que – em Congregação Geral? – se decidiu recorrer ao senhor como patrono. Confesso que isto me alegra, batizado que fui no seu dia, em paróquia sua de biboca serrana. Mas aposto que Deus nos quer dizer mais coisas, que não atino.

 

  • “Santo Onomástico” significa o “Santo do seu nome” e deve ser tido como padroeiro e protetor especial e ainda inspirar àqueles de mesmo nome como um exemplo de vida.