Universitários participam de voluntariado no Nordeste

Iniciativa da Unicap promoveu experiências na Paraíba e em Pernambuco

 

“A experiência do voluntariado provocou em mim a vontade de sair da zona de conforto e foi também um chamado a me lançar em águas mais profundas”, conta o estudante de Engenharia Civil, Wilkinson Xavier Cavalcanti. Ele foi um dos 30 participantes do Voluntariado Universitário Unicap – VOU, iniciativa da Universidade Católica de Pernambuco, por meio do Instituto Humanitas em parceria com o Programa MAGIS Brasil.

Em janeiro, o VOU contou com três grupos de voluntários e cada um deles participou de uma experiência diferente. Duas delas aconteceram na Paraíba e outra em Pernambuco.

O estudante jesuíta João Elton de Jesus, que acompanhou os voluntários, explica que objetivo da iniciativa é oferecer aos alunos da Unicap e universitários de instituições parceiras experiências que vão além dos conhecimentos teóricos dos laboratórios e das salas de aula. “Por meio de inserções, atividades, formação e ações sociais, o voluntariado procura ser uma ponte entre o mundo universitário e a sociedade, buscando aplicar os conhecimentos acadêmicos na vida das pessoas, principalmente aquelas marginalizadas e em situação de vulnerabilidade”, afirma.

No município paraibano de Marcação, a experiência aconteceu na Aldeia Tramataia (foto ao lado), entre os dias 13 e 20 de janeiro. Na comunidade indígena, além do voluntariado em si, os participantes vivenciaram momentos culturais e de ação e reflexão socioambiental. “Com a ajuda dos próprios moradores da aldeia, mostramos o modo de vida do indígena no século XXI, que, ao mesmo tempo que busca preservar as suas tradições, tem que lidar com os benefícios e as mazelas do mundo moderno, capitalista e tecnológico que vivemos”, diz João Elton.

Além da convivência com a cultura dos índios potiguares, os voluntários puderam conhecer também o trabalho nos viveiros de camarão, fizeram a colheita de mariscos e até promoveram uma ação na comunidade recolhendo lixo e materiais recicláveis que são jogados na margem do rio. Os universitários também conheceram o projeto peixe-boi que acontece dentro das terras indígenas. “Nesse período, os voluntários também realizaram o projeto de vida e puderam pensar um pouco na sua atuação e nos sonhos para o futuro”, conta João Elton.

“O voluntariado empodera o jovem, faz ele acreditar em si mesmo e ter consciência da importância que tem seu trabalho, sua vida e sua presença. Assim, ele se torna mais consciente, mais comprometido e mais autoconfiante”

João Elton, estudante jesuíta

Na experiência Cabedelo-João Pessoa, os voluntários participaram de ações com crianças e adultos, entre os dias 21 e 28. Em Cabedelo, os voluntários foram até a comunidade de Salinas Ribamar, situada na beira do mangue poluído e atravessada por uma linha de trem. No local, desenvolveram atividades com as crianças. Depois, em João Pessoa, os estudantes acompanharam catadores de materiais recicláveis e conheceram mais de perto o trabalho e a vida dessas pessoas.

Na experiência em Pernambuco, também entre os dias 21 e 28, os voluntários colaboraram na Casa Vincular, localizada em Recife, que oferece quase 100 refeições diárias para pessoas em situação de rua. Depois, na periferia de Olinda, os estudantes promoveram atividades para crianças na comunidade Arca de Noé. Para Maria das Graças Gouveia Novelino, estudante de Fisioterapia, a experiência do voluntariado foi única. “Tudo isso que vivenciamos me proporcionou uma visão diferenciada da realidade das comunidades e me ensinou que o amor junto com a criatividade é, muitas vezes, o suficiente para transformar a vida de uma criança”, partilha a jovem.

João Elton conta que, em todas as experiências, houve rodas de conversa e reflexão sobre as questões socioambientais que permeavam as atividades. O estudante jesuíta explica também que, durante o ano, nas dependências da Unicap, os estudantes vão poder dar continuidade ao projeto de vida iniciado nas experiências. Nesse contexto, ele ressalta que o grande diferencial de fazer o voluntariado na Companhia de Jesus é a Espiritualidade Inaciana e a busca por si mesmo. “O voluntariado empodera o jovem, faz ele acreditar em si mesmo e ter consciência da importância que tem seu trabalho, sua vida e sua presença. Assim, ele se torna mais consciente, mais comprometido e mais autoconfiante”, afirma.

CONHECENDO UM POUCO MAIS DO VOU

Desde 2015, sempre no mês de julho, a Unicap recebe voluntários universitários de instituições de ensino superior da Companhia de Jesus da Espanha. No Brasil, os jovens participam da experiência de voluntariado e inserção social no distrito de Vazantes, em Aracoiaba (CE). O estudante jesuíta João Elton conta que, no primeiro ano, vieram apenas os espanhóis e, nos anos seguintes, estudantes da Unicap passaram a compor esse grupo de voluntários.

Ao mesmo tempo, o Programa MAGIS Brasil, ação apostólica da Província dos Jesuítas do Brasil junto à juventude, fortaleceu o seu trabalho em rede e passou a promover as chamadas Experiências MAGIS, atividades de voluntariado, peregrinação, entre outras. “Nesse contexto, a partir da minha chegada à Unicap, resolvemos unir forças entre o voluntariado da Unicap e do Programa MAGIS e ampliar as ações de voluntariado na região”, conta o jesuíta.

Em julho de 2017, na primeira edição da parceria, foram oferecidas 25 vagas e 107 alunos da Unicap se inscreveram para participar. Em janeiro de 2018, foram 30 vagas e 125 estudantes da Unicap e de outras instituições fizeram suas inscrições. Nesse edição, também foram aceitas inscrições de jovens e estudantes de outras localidades do País. “Gostaríamos que todos os inscritos pudessem fazer a experiência do voluntariado, mas, como o número de interessados é maior do que a quantidade de vagas, realizamos um processo seletivo composto de dinâmicas e entrevistas”, explica João Elton.

O estudante jesuíta afirma que, tendo em vista a grande procura pelo voluntariado, a proposta, em 2018, é formar grupos de voluntários que possam atuar durante o ano, de acordo com a disponibilidade de tempo de cada um, nas diversas instituições filantrópicas e iniciativas sociais na área metropolitana do Recife. “O número de pessoas interessadas em participar do voluntariado mostra que isso chama a atenção do público universitário. Dessa maneira, acreditamos que podemos dar continuidade e profundidade nessa ação”, diz.

Segundo João Elton, além do trabalho, busca-se uma formação humana e espiritual dos voluntários. “Durante as ações, além das partilhas e da ‘colheita dos frutos do dia’, também realizamos com cada voluntário o projeto de vida, de modo a ajudar o participante no seu autoconhecimento e mostrar caminhos e possibilidades de como colocar a serviço os seus dons pessoais e os conhecimentos que adquirem na sala de aula”, conclui.