CEAS celebra ano jubilar com reflexão, memória e reafirmação da luta

Neste ano, a entidade organizou uma agenda para avaliar sua atuação e projetar o futuro

O ano de 2017, para além dos desafios e das lutas por igualdade, foi um período de celebração para o CEAS (Centro de Estudos e Ação Social). Com o tema Em tempos sombrios, tecemos esperança, a obra jesuíta completou 50 anos de história. As comemorações coincidiram com um momento de acirramento da crise política, econômica e social do Brasil, além do fortalecimento de valores conservadores e de ideias autoritárias.

Todo esse contexto trouxe ao Centro de Estudos e Ação Social a necessidade de reflexão, ou seja, de que é preciso se debruçar sobre o que já foi feito e que o presente anuncia para o futuro. Nesse sentido, o CEAS organizou uma agenda com o intuito de avaliar sua atuação e projetar as ações para os próximos anos. Foram realizadas atividades de formação política, rodas de conversas e debates sobre temáticas da atualidade, trazendo questões que são fundamentais para a atuação política da entidade.

Realizado no dia 21 de março, o primeiro encontro da atividade Dois Dedos de Prosa de 2017 abordou o tema A conjuntura internacional e sua interação com o contexto político brasileiro, que contou com a participação de Muniz Ferreira. Na ocasião, o professor doutor da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), antigo parceiro do CEAS que já integrou a equipe editorial da Revista Cadernos do CEAS, fez uma análise crítica da conjuntura política internacional, sem deixar de contextualizá-la a partir de estruturas históricas da sociedade. Este evento fez parte da programação da semana dedicada ao PMA – Avaliação e Monitoria de 2016 e Planejamento de 2017, atividade também de fundamental importância para o alinhamento e organização da equipe do CEAS.

Ao logo do ano foram realizadas também as Rodas de Conversa. Em agosto, o tema foi A trajetória das lutas das mulheres e feminismo, que teve como objetivo formular e apontar as perspectivas do trabalho do CEAS no apoio à luta dos movimentos para a superação da desigualdade entre os gêneros e todas as formas de expressão do machismo. Em junho, foi a vez de refletir sobre Memória e perspectivas da Companhia de Jesus na luta pela justiça socioambiental para o Brasil e América Latina, que revisitou a história do trabalho da Companhia de Jesus e reafirmou o compromisso social dos jesuítas com o Brasil e a América Latina. Esta conversa compôs a programação do Encontro de Movimentos Populares e Parceiros dos Centros Sociais da América Latina.

Em 2017, o CEAS organizou uma agenda com o intuito de avaliar sua atuação e projetar as ações para os próximos anos

Sobre o Encontro, este possibilitou uma rica troca de experiência entre movimentos sociais e organizações populares latino-americanas, tendo como ponto de partida para as discussões três eixos temáticos: Território e Cidade, Monocultura e Mineração. A partir dessas questões, que fazem parte de um contexto comum aos países participantes, e em torno das quais se organizam diversas lutas no subcontinente, aprofundou-se a leitura sobre a realidade, abriram-se canais de comunicação e articulações, e os laços entre as organizações se estreitaram na perspectiva do fortalecimento mútuo.

Já em setembro, a Assembleia Ordinária, além de eleger a nova Secretária Executiva do Centro, celebrou os 50 anos com mística, poesia, depoimentos e, principalmente, homenagens aos companheiros que fazem parte da história do CEAS.

Cabe ainda falar sobre a continuidade da revista Cadernos do CEAS, que presta enorme contribuição às formulações sobre a luta popular, conciliando teoria e prática. Em 2017, foram duas edições lançadas; a última delas, número 241,  editada em parceria com a Unicap (Universidade Católica de Pernambuco) e a UCSAL (Universidade Católica de Salvador). A publicação foi  disponibilizada, primeiramente, em versão digital no mês de setembro, e agora impressa, lançada oficialmente no dia 15 de dezembro, concomitante ao lançamento do livro O fazer político da Bahia na República (1900-1930): matriz das relações entre Estado, corporações e políticos, de Joaci de Sousa Cunha, assessor da entidade. Vale a pena anunciar que, em 2018, será aberta a Biblioteca Cláudio Perani, uma conquista fruto de uma parceria com o Secretariado para a Justiça Socioambiental da Companhia de Jesus.

Em meio a tantas atividades, não foi menor a dedicação ao trabalho de assessoria às comunidades e movimentos sociais parceiros, do campo e da cidade. Formações políticas, planejamentos e visitas estiveram o tempo todo no nosso cotidiano do CEAS.

A extensa agenda atravessou um período que guarda semelhanças com o momento do surgimento do CEAS, em 1967. O ano jubilar fez rememorar a trajetória de resistência e persistência da entidade, junto aos parceiros, apoiadores e construtores desta história, e reafirmar o valor da esperança, imprescindível para os que lutam uma vida inteira. Então, não nos resta dúvida de que a nossa perspectiva é de continuidade, porque há muito trabalho a ser feito, muita luta a ser travada rumo a uma sociedade em que impere a solidariedade, a justiça, a liberdade e a igualdade de direitos. Esta é a razão de existir e resistir do CEAS pelos próximos 50 anos.

Quer saber mais sobre o CEAS? Então, clique aqui e leia a 36ª Edição (julho) do informativo Em Companhia, que traz um especial sobre os 50 anos da entidade.

 

Fonte: CEAS – Centro de Estudos e Ação Social (Salvador/BA)