Unicap e prefeitura do Recife firmam parceria

Iniciativa prevê a criação de um game para combater o machismo e à violência

O curso de Jogos Digitais da Unicap (Universidade Católica de Pernambuco) e a Secretaria da Mulher da Prefeitura da Cidade do Recife (PCR) lançaram o edital do concurso do Programa Maria da Penha Vai às Escolas, no dia 18 de agosto. A ideia é que estudantes do curso desenvolvam um game que aborde as relações de gênero e o enfrentamento à violência contra a mulher para ser difundido em escolas da rede municipal.

O concurso vai premiar os projetos vencedores em dinheiro. O primeiro lugar ganhará 14 mil reais, o segundo 8 mil e o terceiro 4 mil reais. Já o quarto e o quinto colocados terão direito a 2 mil reais, cada um. Os jogos podem ser criados para rodar em PCs, smartphones ou tablets na modalidade off-line (sem uso de internet). O edital prevê ainda que o material precisa ser inédito, ou seja, não deve ser produzido por empresas. Além disso, o game deve ser ambientado no Recife (PE) e ter como personagem principal Maia, criada pela equipe do Programa Maria da Penha vai às Escolas.

No Brasil, a taxa de feminicídios é de 4,8 para 100 mil mulheres – a quinta maior no mundo, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). Os. O estupro também é outra forma de violência que assusta e revolta. Somente na capital pernambucana foram registrados 342 estupros. Este ano, até 25 de junho, foram 165 ocorrências desse tipo de acordo com a PCR. Desse total de vítimas, as negras e pardas correspondem a 61%; brancas, 13%; e outros 26% não foram informados. Vale salientar a questão da subnotificação desses crimes.

Os dados foram apresentados pela gerente geral de promoção da cidadania das mulheres da PCR, Inamara Melo, durante o lançamento do concurso. “A tecnologia e a universidade precisam estar a serviço da sociedade para trabalhar o feminismo e as questões de gênero. Combater o machismo é um desafio.”

O coordenador do curso de Jogos Digitais da Unicap, Anthony Lins, também destacou que o objetivo da iniciativa é utilizar uma ferramenta de entretenimento para combater a violência contra a mulher. “É um desafio imenso trazer um problema extremamente complexo para o universo dos games”, afirmou ao explicar que o jogo pode ser desenvolvido individualmente ou em grupo.

Roda de diálogo

As questões relativas à igualdade de gênero e ao combate à violência contra a mulher que irão nortear os desenvolvedores dos games foram tema de uma roda de diálogo logo após a apresentação do edital. Participaram da conversa a presidente da União Brasileira de Mulheres em Pernambuco, Laudijane Domingos; a criativa da produtora Três Copas, Flávia Gomes, autora da personagem Maia; a diretora da União dos Estudantes de Pernambuco, Manuela Mirela; e a videasta, integrante do Observatório da Mídia e Jovem Feminista, Lais Rilda. A mediação foi da própria Inamara Melo.

 

Fonte: Universidade Católica de Pernambuco – Unicap (Recife/PE)