Nova direção nacional da Fundação Fé e Alegria

Pe. Pedro Pereira é o novo diretor-presidente da instituição

Na foto (da esq. p/ dir.), os padres João Renato Eidt, Provincial do Brasil, Álvaro Negromonte e Pedro Pereira da Silva 

O padre Pedro Pereira da Silva assumiu a direção nacional da Fundação Fé e Alegria do Brasil. A cerimônia de posse foi realizada no dia 13 de agosto, na Sede Nacional da instituição em São Paulo, e contou com a presença do Provincial do Brasil, padre João Renato Eidt, e do padre Álvaro Negromonte, que esteve à frente da instituição desde 2012.

Antes da posse, o Portal Jesuítas Brasil entrevistou o padre Pedro e o padre Álvaro. Confira:

 

PE. PEDRO PEREIRA DA SILVA

Quais as expectativas do senhor com relação a sua nova missão?

Ao conhecer mais, é possível contemplar melhor a obra e, assim, se sentir mais seguro, mais confiante. Desse modo, o sentimento que eu experimento hoje é de confiança e serenidade.

Em sua opinião, quais as maiores alegrias e desafios ao assumir essa nova função?

É uma alegria visível, que experimentei logo de imediato, pois conto com uma equipe muito qualificada também. Além disso, percebi a alegria de muitos companheiros jesuítas que têm se preocupado com a missão de Fé e Alegria e que têm o desejo de colaborar. Isso me dá muita alegria, muita paz em meu coração.

Pe. Pedro, conte-nos um pouco sobre o senhor (onde nasceu, família, etc.).

Eu nasci em uma cidadezinha no interior do Maranhão chamada Sambaíba, que possuía sete mil habitantes na época. Vim de uma família grande, mas fiquei órfão de pai e mãe e acabei sendo criado por tios. Durante minha infância, eu recebi muito afeto e muito carinho e isso me deu combustível para ser mais, para ser melhor. E, diante de tanto amor e ternura, eu não posso viver nesse mundo senão amando e servindo às pessoas, especialmente aos mais fragilizados, pois uma criança criada sem pai e sem mãe adquire uma sensibilidade muito grande com aqueles que sofrem, que padecem.

Até o momento, como foi sua trajetória dentro da Companhia de Jesus?

Eu conheci a Companhia de Jesus pelos livros de História, por meio dos jesuítas Antônio Vieira e José de Anchieta, duas figuras históricas e extremamente conhecidas no Brasil. Um tanto por eles, o que me levou a entrar na Companhia foi o ideal de missão. Depois, ao conhecer a Companhia mais de perto, eu descobri o que me levou a ingressar na Ordem religiosa: sua espiritualidade. Porque a espiritualidade inaciana ajuda a conhecer-se melhor e, ao mesmo tempo, suscita em você um ardor maior para servir.

Eu me ordenei em 21 de julho de 2007 e fui destinado a uma paróquia no sertão baiano. Lá, aprendi o cotidiano do sacerdócio e adquiri experiência social ao descobrir um povo tão carente e tão forte diante das necessidades. Antes de minha Terceira Provação, ainda fui pároco em Capim Grosso, Bahia. No retorno, fui trabalhar no setor social da extinta Província Brasil Nordeste. E, logo após a criação da Província do Brasil, fui para Feira de Santana, também na Bahia.

Em sua opinião, qual a importância do trabalho realizado pela Fundação Fé e Alegria no Brasil?

Fé e Alegria Brasil faz o que muitas escolas formais públicas não conseguem fazer. Ela promove acompanhamento personalizado, preocupa-se com a formação para o exercício da cidadania, prepara para a vida. Fé e Alegria, por meio de sua ação educativa, que une a Pedagogia Inaciana à Educação Popular, levanta os pequenos e inflama em seus corações um ardor maior pela vida. 

 

Na foto, os padres com a equipe da Sede Nacional da instituição em São Paulo

 

PE. ÁLVARO AUGUSTO NEGROMONTE PEREIRA

Há quanto tempo o senhor está à frente da direção da Fundação Fé e Alegria?

Ao longo de dois anos, estive em Fé e Alegria, no Piauí, como diretor de educação. Após esse período, em 2012, vim para São Paulo assumir a função de diretor-presidente.  

Como foi esse trabalho? (desafios, alegrias, etc.)

O trabalho em Fé e Alegria me trouxe um tempo de muita graça e de muita consolação. Dentre os desafios, eu gostaria de destacar o desafio da ação pública, da incidência política. Acredito ser esse o grande desafio que Fé e Alegria tem tentado enfrentar nesses últimos anos, especialmente pelo descrédito que a sociedade brasileira vem sentindo por parte de ações políticas, por parte de processos educativos. Formar cidadãos para que país? Essa era a grande pergunta, o grande desafio que tínhamos. Hoje, ao olhar para os 14 estados em que estamos presentes, percebo que ainda é um grande desafio a ser enfrentado. Mas esse desafio trouxe também grande alegria, pois o enfrentamos de modo democrático.

Em Fé e Alegria, nós acreditamos em processos democráticos e foi uma grande alegria viver essa busca por uma gestão democrática, por espaços democráticos e participativos. Assim, com a chegada de pessoas com outras ideias e caminhos, pudemos ir construindo juntos. Outra alegria foi ver a implantação de novos projetos, de projetos com financiamento internacional, que nos trouxeram novo ar. Assim como a implementação do sistema de melhora da qualidade e a educação técnica formal e não formal.

A vida artística de Fé e Alegria também cresceu muito nesses últimos anos. Hoje, há crianças e adolescentes se expressando de diversas formas: teatro, música, danças, poesia. Essa alegria é fruto do trabalho das bases, do trabalho de cada coordenador executivo regional e da equipe da Sede Nacional, sempre dando apoio. Ainda temos a Rádio Fé e Alegria, que acaba de completar dois anos de transmissões. Ela é uma grande conquista para Fé e Alegria Brasil.

Qual o balanço que o senhor faz desse período?

O balanço que faço é bastante positivo. Sinto que muito nos aproximamos da Federação Internacional de Fé e Alegria, uma vez que fui de sua Junta Diretiva e pude conhecer muitas dessas realidades e trazer muito dessas soluções e caminhos para o Brasil, isso é um grande avanço. Também vejo que muito estamos avançando no desejo de estar bem preparados para enfrentar as questões que chegam e ainda chegarão.

Como foi a colaboração do senhor nessa missão?

Minha colaboração em Fé e Alegria foi trazer pessoas que pudessem agregar ao projeto para avaliar nossa ação e retomar caminhos. Também foi o de levar mais autonomia às regionais. Hoje, temos nas regionais o surgimento e crescimento de conselhos gestores, de grêmios estudantis. Assim como, enquanto padre, pude me disponibilizar totalmente para o trabalho, podendo celebrar a eucaristia, rezar com as pessoas, celebrar seus aniversários, em um clima fraterno, partindo de uma base cristã, mas respeitando as outras expressões.

O que o senhor deseja para o padre Pedro nessa missão?

Ao padre Pedro, meu irmão, eu desejo que tenha muita alegria. Que realmente possa alimentar esse povo, cuidar dessas pessoas e, ao mesmo tempo, fazer com que os companheiros jesuítas e leigos, que trabalham em nossas diversas obras, possam olhar Fé e Alegria como uma obra da Companhia de Jesus no Brasil, que, vinculada a outras unidades de Fé e Alegria no mundo, forma uma Federação. Eu desejo que ele use todo seu potencial , todo seu carinho com os mais pobres e faça com que Fé e Alegria seja ainda mais amada, ainda mais conhecida.