Cinema e Debate animam encontro de universitários da CIJ

Filme 'Caldeirão de Santa Cruz do Deserto' do cineasta e poeta Rosemberg Cariry foi o tema do Cine CIJ

No dia 24 de maio, a CIJ (Casa Inaciana da Juventude) realizou mais uma edição do Cine CIJ, que contou com presença do cineasta e poeta cearense Rosemberg Cariry, que tem grande atuação na área cinematográfica do Ceará e do Brasil.

Segundo Evenice Neta, assessora da CIJ, o percurso do cineasta está relacionado às suas escolhas políticas e estéticas. “Cariry fala do nordeste, da religiosidade popular, das injustiças sofridas pelo povo. O cinema é sua linguagem, poética e sua forma de atuar no mundo”, afirma.

O filme Caldeirão de Santa Cruz do Deserto, primeiro longa-metragem do cineasta, foi a obra escolhida para ser apresentada e debatida pelos jovens. No filme, é contada a história da Comunidade Caldeirão, movimento messiânico organizado no interior do Ceará, por volta de 1920, que tinha como principal referência o Beato José Lourenço.

Utilizando-se de cenários, músicas, religiosidade popular e situações típicas do interior do Ceará, o longa-metragem comunica o que foi a principal experiência de vivência comunitária baseada nos valores cristãos organizados no Ceará.

Ao término do filme os participantes ainda conversaram com o cineasta, que pôde compartilhar um pouco de sua trajetória e escolhas poéticas.

 

Comunidade Caldeirão

A Comunidade Caldeirão de Santa Cruz do Deserto foi uma experiência de vivência comunitária que aconteceu, entre os anos 1920 e 1936, no Crato, cidade do interior cearense.

A comunidade reuniu mais de mil pessoas, que trabalhavam no plantio e na colheita de alimentos. ‘Tudo era de todos’ ressaltaram várias pessoas remanescentes da comunidade apresentadas no filme. Na Comunidade Caldeirão era vivenciada uma experiência de partilha e comunhão.

Em 1936, a Polícia Militar do Ceará invadiu o Caldeirão e tomou todos os bens da comunidade. No mesmo ano, o governo de Getúlio Vargas mandou caças, da FAB (Força Aérea Brasileira), para bombardear o território do Caldeirão, cerca de 700 pessoas morreram no ataque.

Fonte: CIJ (Casa Inaciana da Juventude)