Sobrevivente do Holocausto realiza palestra no Santo Inácio

Aleksander Laks contou aos alunos os momentos que viveu no campo de concentração

Os alunos do Colégio Santo Inácio tiveram um encontro especial no dia 13 de agosto. Eles tiveram a oportunidade de conhecer e ouvir as histórias do polonês Aleksander Laks, sobrevivente do Holocausto. Esta foi a segunda vez que Laks esteve no Colégio para falar sobre sua experiência. Em 2012, ele já havia lotado o auditório, que desta vez teve até o palco ocupado pelos alunos.

O polonês conheceu os horrores da Segunda Guerra Mundial aos 11 anos, e, mesmo após sete décadas ele continua relembrando as situações vividas em guetos e campos de concentração da Europa. As lembranças e o relato de sua história é uma forma de Laks atender ao último pedido de seu pai. “Antes de ser assassinado, ele disse que, se eu sobrevivesse, não deixasse esquecer o que nos fizeram”, contou.

Hoje, com 85 anos, Laks se considera um afortunado. Por diversas vezes, durante a Guerra, escapou da morte. O pai o proibiu de ir à escola no dia em que todos os seus colegas foram enviados para um campo de extermínio. “Sou o único sobrevivente daquele colégio”, lembrou Laks.  Em outro momento, já em um campo de concentração na Alemanha, Alexander Laks seria fuzilado. “Um homem estava me levando quando outro o chamou e disse para me deixar de lado. Voltei para encontrar meu pai, que ainda estava chorando por achar que me matariam.”

No fim da guerra, muito debilitado e dentro de um trem, ele recebeu de um estranho um copo de leite que o fez viver. “Não sei quem foi. Eu estava sereno. Não tinha fome, sede ou frio. Sabia que estava morrendo. Então, essa pessoa bateu no meu ombro e me ofereceu leite. Como não conseguia pegar, ela me deu na boca e se foi. Depois disso, senti a vida novamente”, conta Laks, afirmando estar “predestinado a sobreviver e contar isso”.

As dramáticas passagens são rememoradas em tom sereno por Alexander Laks, que não pretende ser visto como vítima. “Consegui reconstruir minha vida”, afirma. Depois da guerra, ele veio morar com parentes no Brasil. Aqui, casou-se, formou família e naturalizou-se. Relembrar o passado é a maneira de evitar que a barbárie volte a acontecer, afirmou, recomendando aos alunos que valorizem os pais e os amigos, rejeitando atitudes preconceituosas, como a prática de bullying. E sobre o racismo, foi categórico: “Não existe a raça ariana, a negra… O que existe é apenas uma raça, a raça humana. Somos uma só raça. Sou brasileiro, judeu e parte da humanidade”.

Fonte: Colégio Santo Inácio