Edições Loyola lançam a sétima edição de “Sermões” de Antonio Vieira

A questão básica dos sermões é como a palavra de Jesus Cristo é utilizada pelos pregadores

Escritas há quatro séculos, as palavras do padre Antônio Vieira mantêm-se mais atuais do que nunca. Dando continuidade ao projeto iniciado em 2008 com Sermões I, as Edições Loyola lançam Sermões VII, o sétimo de 14 volumes de uma edição completa dos sermões de Vieira. A obra é resultado das reflexões do missionário e escritor português do século XVII e traz marcas da estética barroca. A questão básica dos sermões é como a palavra de Jesus Cristo é utilizada pelos pregadores. Um olhar mais profundo mostra que o autor vai além da catequese, adotando uma atitude crítica da codificação da palavra.
 
O sétimo volume reúne quinze sermões iniciados por Vieira no Brasil: 1634 (Sermão do Sábado antes da Dominga de Ramos), na Bahia; 1638/1640 (Sermão de Santa Bárbara), na Bahia; 1653 (Sermão da Dominga Vigésima Segunda Post Pentecosten), em São Luís do Maranhão; 1658 (Sermão de Nossa Senhora da Graça), na Igreja Matriz do Pará; 1689 (Sermão de S. Gonçalo). Em Portugal: 1644 (Sermão de S. João Batista), no mosteiro da Quietação, Alcântara; 1644 (Sermão de S. João Evangelista), na Capela Real — Festa do Príncipe D. Teodósio; 1649 (Sermão da primeira, da segunda, da terceira e da quarta Dominga do Advento); 1655 (Sermão da Segunda Dominga da Quaresma), na Capela Real, em Lisboa; além de três sermões sem data. 
 
Os quatro sermões do Advento de 1650 constituem um espelho do estado de espírito de Vieira; no primeiro, tudo passa e nada passa, o juízo de Deus para com os homens; no segundo, o Batista em prisão, o juízo dos homens uns para com os outros; no terceiro, o juízo de cada um para consigo, matéria em Portugal ainda mais grave; no quarto, o juízo destes três juízos debaixo do juízo da penitência.
 
Para facilitar a leitura, os textos e as referências em latim foram traduzidos para o português e, de acordo com o editor do livro, Joaquim Pereira, a tradução proporciona “uma leitura sem interrupções, livre de rodapés”. A capa e o projeto gráfico de Sermões VII, assim como no volume anterior, possuem inovações nas características estéticas: as páginas da obra são de papel-bíblia 40g, tornando-a mais fácil de manusear, e, na capa, destacam-se o brasão da Companhia de Jesus e a amarração externa com rami encerado (um tipo de cordão), que envolve o livro.
 
Sermões VII mostra que Vieira marcou a história da humanidade com inteligência e atuação, tornando-se um paradigma literário da língua portuguesa. Os assuntos são vários, citados em diversos lugares e tempos, como quis o autor. Suas palavras transformaram-no em um orador digno de fé e mostraram o desenvolvimento de ideias lógicas, destinadas a satisfazer o público.
 
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Fonte: Edições Loyola