Pe. Netto celebra Jubileu de Ouro de Ordenação Sacerdotal

Em entrevista, jesuíta contou um pouco de sua trajetória na Companhia de Jesus

Natural de Cisneiros, Minas Gerais, José Antonio Netto de Oliveira, o Pe. Netto, completa hoje (20) 50 anos de Ordenação Sacerdotal.

Acompanhe a entrevista do jesuíta, que entrou no noviciado da Companhia de Jesus em 1952, aos 18 anos, e foi o primeiro diretor do CEI-Itaici (Centro de Espiritualidade Inaciana).

 

Como começou a sua história com a Companhia de Jesus? E como o senhor decidiu se tornar jesuíta?

Pe. Netto – Meu contato com a Companhia de Jesus foi providencial, eu já pensava em ser padre desde os 8 anos de idade. Então, um pároco me orientou a terminar o curso primário e depois ele me encaminharia para um seminário. Em 1943, esse mesmo pároco conversou com o Pe. Cardoso, diretor de um seminário jesuíta, e contou sobre o meu interesse em ser padre. Em 1945, terminado o 4º ano primário, fui para a Escola Apostólica dos Jesuítas, terminei o Ensino Fundamental e o Ensino Médio, e, em 1952, com 18 anos de idade, entrei no noviciado em Itaici, sempre encantado com a Companhia de Jesus.

Em 2013, o senhor completa 50 anos de ordenação, qual o sentimento de estar todos esses anos na Companhia de Jesus?

Pe. Netto – Eu sinto uma profunda gratidão. Tudo o que eu sou, eu devo à Companhia que é a minha família, uma família que me acolheu ainda muito pequeno, me formou, me levou ao conhecimento interno de Jesus e ao seu seguimento, me ensinou a servir a Deus e ao próximo, colaborando com Deus na construção do seu Reino. A Companhia me ensinou, através da obediência, a enfrentar os meus medos e paralisias. Nas várias missões que recebi, deixei que os caminhos de Deus acontecessem em minha vida e não os meus caminhos, assim como disse São Paulo, na Segunda Carta aos Coríntios, cap. 12, 7-10: “quando sou fraco, então é que sou forte, porque então é a força e a graça de Cristo que agem na minha fraqueza”.

 

Atualmente o senhor é membro do CEI e orientador dos Exercícios Espirituais. Conte-nos um pouco sobre a sua área de atuação.

Pe. Netto – Eu fui preparado para trabalhar com leigos e terminada minha formação, fiquei oito anos em Belo Horizonte (MG), trabalhando na formação do laicato. Outra surpresa em minha vida foi minha nomeação para ser mestre dos noviços em 1976. Para essa missão, tive que aprofundar meus conhecimentos sobre a espiritualidade inaciana e, sobretudo, conhecer mais profundamente os Exercícios Espirituais de Santo Inácio. Comecei então a orientar os EE não somente de 30 dias para os noviços, mas também de oito dias para grupos diversos. Descobri, então, que eu tinha um “carisma” para orientar retiros espirituais na linha inaciana, frutos produzidos pelo Espírito no coração e na vida das pessoas. Assim, meus superiores, terminados os oito anos como mestre de noviços, me destinaram para Itaici, onde fundamos o Centro de Espiritualidade Inaciana. Eu guardo uma profunda lembrança desses anos que passei em Itaici, no trabalho apostólico e na área da espiritualidade.

Para o senhor, o que significa ser jesuíta e servir a Companhia de Jesus?

Pe. Netto – O carisma de Inácio sempre me empolgou. Levou-me a uma experiência profunda e pessoal de Deus e à missão apostólica no mundo. Não se trata de “curtir” a experiência de Deus isoladamente, mas fortificados por essa experiência, se abrir para o mundo e inserir-se nessa realidade conflitiva, injusta e desafiadora. Servimos à Companhia de Jesus pela disponibilidade para receber as missões e, como corpo apostólico, queremos servir a Deus, servindo à sua Igreja e a humanidade, valorizando cada pessoa na sua singularidade e cuidando com delicadeza de cada pessoa que Deus coloca em nosso caminho.