Pe. Sandoval fala sobre o trabalho da pastoral universitária

Serviço de Pastoral Universitária da Arquidiocese de Manaus renova as suas disposições para a evangelização

Confira a carta do Pe. Sandoval Alves Rocha sobre o Serviço de Pastoral Universitária da Arquidiocese de Manaus:

Embalado pela Solenidade da Santíssima Trindade, em 26 de maio, quando celebramos o Deus, que é Comunhão e Vida. O Serviço de Pastoral Universitária – SPU, da Arquidiocese de Manaus, renova as suas disposições para a evangelização. No encontro realizado no Centro Loyola no dia 29 de maio, em que participaram agentes pastorais inseridos em múltiplos centros acadêmicos como a Universidade Federal do Amazonas, a Faculdade Dom Bosco, a Escola Superior Batista do Amazonas, a Faculdade Metropolitana de Manaus e a Faculdade La Salle, vivemos a graça da comunhão e do envio, através da presença e apoio de Dom Sergio Castriani. Fomos também brindados pela presença da Irmã Eugênia Lloris (Assessora da Pastoral Universitária da CNBB), que nos trouxe a sua amizade e a sua mensagem.

Num clima de renovado ardor os agentes pastorais ratificaram a sua missão de serem “Semeadores da Palavra” no meio universitário (Mt 13,3-9). Conscientes de que a Universidade compõe um cenário marcado pela diversidade de “terrenos” (culturas, raças, religiões, classes sociais, sexualidades, etc.), os semeadores continuam lançando as suas sementes, confiando na intervenção do Espírito Santo, que age silenciosamente, produzindo vida interior em cada ser humano. Sabemos que a Universidade constitui um importante centro de produção e transmissão de conhecimentos na nossa sociedade. Nesse sentido, a vida interior produzida pelo Espírito no mundo universitário configura-se pela articulação entre o conhecimento e os valores. A ação do SPU visa, como foi bem destacado, “articular conhecimentos com valores”. Assim, a ciência aparece não como uma invenção cega do gênio humano, mas como uma atividade orientada para a valorização da vida e das relações, contribuindo para a constituição de sociedades fraternas e abertas às diversas dimensões da existência.

A ciência moderna por muito tempo preconizou o divorcio hostil entre o homem e a natureza na medida em que o pesquisador tratava o seu objeto de estudo como mero instrumento de realização intelectual, dando margem a uma relação de servidão. Esta relação assimétrica reproduzida nos diversos níveis da sociedade desembocou em graves prejuízos para a natureza (as diversas formas de poluição, a destruição do meio ambiente, o desflorestamento, a devastação de rios e igarapés, a má utilização dos recursos hídricos, os problemas na camada de ozônio, etc.), colocando também em risco a vida do próprio ser humano. Todavia, o SPU continua acreditando na transformação processada pelo conhecimento através do qual as estruturas injustas e desumanizantes são questionadas e desmascaradas, abrindo espaço para a reflexão e a emergência de caminhos que levam de fato à realização integral do ser humano, colaborando para o equilíbrio entre os homens entre si e entre estes e o meio em que vivem.

Parte importante desta transformação operada pelo conhecimento consiste em estabelecer um diálogo entre fé e razão. Neste encontro os velhos paradigmas positivistas que movem as atividades investigativas podem adquirir novas orientações se deixando afetar por diferentes formas de abordagem da realidade. A vida planetária muito ganharia com esta postura! Do seu lado, a fé encontraria um apoio científico que ajudaria o homem a se situar adequadamente no seu mundo (natural e social), permitindo-o a vivência esclarecida da fé. Certamente, esta relação dialógica entre fé e razão promoveria novas posturas, novas formas de vivência, que se expressariam em hábitos, costumes, crenças e visões de mundo muito mais adequadas e saudáveis para a vida humana e a vida em geral.

Grande desafio se descortina para o cristão contemporâneo. Somente uma motivação proveniente da infinita realidade de Deus pode gerar a inspiração e a disposição necessárias para abraçar tal desafio. Contra toda desesperança o SPU confia na semente lançada no terreno diversificado da Universidade, sabendo que o Espírito de Deus costuma surpreender e se utiliza das nossas mínimas forças para realizar grandes coisas!