A sala de aula do futuro

Pesquisa desenvolvida na área de Design repensa o formato atual dos espaços de aprendizagem nas escolas

Alunos e professores da graduação e do PPG em Design da Unisinos tem se reunido para repensar o modelo atual da sala de aula. Mais do que o espaço físico, o uso de tecnologias nesse espaço de aprendizagem é analisado na pesquisa. Pesquisadores do MIT, em Boston, e da Academy for Global Citizenship, de Chicago, tem vindo até o campus de Porto Alegre conhecer o projeto e apresentar suas experiências inovadoras em educação.

Inspirados, alunos como Dinara Dal Pai desenvolveram trabalhos aplicados. No mestrado, ela avaliou o uso da tecnologia digital para inovação da experiência de aprendizagem no ensino superior. Ana Berger, no mestrado em Design, pesquisou a forma como a comunidade da Escola Municipal Gilberto Jorge, de Porto Alegre, é capaz de diagnosticar e solucionar as dificuldades do dia a dia. “Estas pesquisas nos deram alguns indicativos para podermos pensar em alternativas para o futuro”, apontou o professor Gustavo Borba.

A sala de aula proposta pelos pesquisadores da Unisinos têm várias inovações, mas o termo chave que a torna promissora é interação. “O papel do professor passa a ser de facilitador na construção coletiva do conhecimento e as conexões, rede e contato presencial, passam a ser meios para a interação, compartilhamento do conhecimento tácito e geração de novas ideias”, comentou Borba.

Não basta ter tecnologias digitais, equipamentos modernos sem práticas pedagógicas e metodologias também inovadoras. Ser o articulador e facilitador torna a responsabilidade do professor ainda maior e seu valor mais complexo do que o modelo passado onde ele apenas replicava e apresentava o conteúdo. Nesse cenário, o professor passa a ser o coaching dos alunos e, assim, ocupa o centro da sala e facilita o processo de aprendizagem.

A nova sala de aula nasce dos modelos que os alunos de Design estão inseridos na universidade. Tanto as práticas pedagógicas quanto os espaços físicos desse curso. “Grande parte das atividades ocorre através de workshops, que são atividades transversais, com objetivos claros e que colocam alunos, professores e a sociedade (muitas vezes, representada por empresas), em um processo de construção coletiva do conhecimento”, aponta o professor.

A sala de aula muda, o papel do professor também. E o aluno? Já mudou. “O modelo mental do jovem é diferente do modelo que temos. Os estudantes que entrarão nas universidades em 2016, 2017, por exemplo, nasceram no século XXI, onde as tecnologias digitais não são novidade, fazem parte da vida cotidiana de cada um, assim como a televisão fazia parte da nossa vida no passado”, explica.

Pensar num modelo inovador e inspirador de sala de aula também traz novas perspectivas para as aspirações dos jovens. Ao ver o professor assumindo um papel diferente e central na construção do conhecimento, o aluno pode voltar a se enxergar assumindo essa função. “À medida que temos uma melhor interação entre alunos e professores, temos melhores resultados na construção do conhecimento”, finaliza.

Fonte: Unisinos