CEAS faz projeto para resgatar história de bairro

Comunidade Calabar, em Salvador, terá reconstrução das memórias, com auxílio da Universidade Federal da Bahia

 

foto
 
Reconstruir a história e a memória do bairro Calabar, em Salvador (BA), resgatando as lutas sociais ocorridas na comunidade nas décadas de 1970 e 1980 e discutir sua realidade atual. Este é o objetivo da ACC (Atividade Curricular em Comunidade), da Universidade Federal da Bahia em parceria com o CEAS (Centro de Estudos e Ação Social) da Companhai de Jesus, envolvendo alunos da graduação em História, Comunicação, Humanidades, Ciências Sociais, Geografia, Serviço Social e Biblioteconomia. O trabalho já foi iniciado e segue ao longo de 2013.
 
A história e a memória serão reconstruídas a partir da documentação existente na comunidade e no CEAS, bem como através da história oral dos participantes das lutas daquelas décadas. O processo de organização e disponibilização do acervo para a comunidade permitirá o contato com sua história e a apropriação de sua memória. Além disso, ao recuperar o confronto entre o discurso da grande imprensa e o contra-discurso elaborado pelo jornal Kalabari, publicado pelos moradores do Calabar (1981-1987), e pela rádio comunitária A Voz do Calabar (fundada em 1986), o curso discutirá a militância da juventude e o papel da mídia na conformação de identidades, tanto para o contexto dos anos 80 quanto para o momento presente.
 
A ACC prevê ainda a socialização da história do bairro em Seminários a serem realizados na UFBA, no CEAS e  no Calabar, bem como a capacitação dos estudantes e dos moradores através de Oficinas Pedagógicas de Texto, Mídias e Artes (Jornal, Fotografia, Música, Vídeo e Cinema), de maneira a estimular a continuidade no processo de registro e expressão da história e da memória populares.
 
Bairro
O Calabar é um bairro popular localizado na região central de Salvador, fazendo fronteira com bairros de classe média e média alta da cidade: Federação, ao Norte; Jardim Apipema e Ondina, ao Sul; Alto das Pombas e São Lázaro, a Leste; Centenário e Barra, a Oeste. Segundo o historiador Cid Teixeira, o bairro foi formado por escravos oriundos de uma região localizada ao norte da atual Nigéria, chamada de Kalabari, os quais, ao chegarem à Bahia, fugiram dos seus senhores e constituíram o Quilombo dos Kalabari.
 
Possuindo duas entradas, pela Avenida Centenário (Barra) e por Ondina, é subdividido internamente pelos próprios moradores. A entrada de Ondina consiste no início do chamado Largo do Camarão. Dois caminhos principais ligam uma ponta à outra: a rua Nova do Calabar, conhecida como Rua de Cima, e a Rua do Riacho, chamada Rua de Baixo, liga o Camarão à Avenida Centenário (Barra).
 
Caracterizado como um vale com encostas, o Calabar ocupa uma área de cerca de 80 mil metros quadrados, onde habitam aproximadamente 22 mil pessoas, em mais de 5.300 domicílios (IBGE, 2000). Segundo os dados censitários, a maior parte dos moradores recebe de meio a dois salários mínimos. As pessoas vivem em nítidas condições de insalubridade, uma vez que 10% dos domicílios foram construídos com materiais não convencionais; 46% possuem um único cômodo, onde se aloja toda a família; 10% não dispõem de água encanada; 13% não possuem sanitário e 41% colocam o lixo em terrenos baldios, a céu aberto. Isso se reflete nos indicadores de saúde: quase 10% das crianças com menos de 5 anos sofreram de diarreia e mais da metade 50% de infecção respiratória, chegando a 63% em algumas áreas do bairro.
 
Fonte: CEAS